Salvador vista do Forte do Mar, litografia de Benjamin Mulock (1859): a cidade da revolta de 1835Benjamin Robert Mulock (1829-1863), 1859 · Wikimedia Commons · domínio público
Na madrugada de 25 de janeiro de 1835, africanos muçulmanos, escravizados e libertos, se levantaram em Salvador. Vencidos em poucas horas, sofreram prisões, açoites, deportações e condenações à morte. O levante acelerou a lei de 1835 que punia com a forca o escravo que atacasse o senhor.
- 600 a 1.500participantes, conforme a fonte
- 70revoltosos mortos
- 7mortos das tropas oficiais
- c. 300presos e julgados (Fundação Palmares)
- > 500africanos expulsos para a África (MultiRio)
O que havia antes
Salvador tinha, segundo a MultiRio, cerca de metade da população de escravizados ou libertos de várias origens africanas, entre eles nagôs e haussás muçulmanos. Muitos eram negros de ganho, que circulavam pela cidade e às vezes compravam a alforria. Os malês, de “imalê”, muçulmano em iorubá, sabiam ler e escrever em árabe.
O levante foi marcado para o fim do Ramadã. Os planos, escritos em árabe, previam tomar Salvador e depois os engenhos do Recôncavo, segundo a Fundação Palmares.

Léon Pallière, um mercado na Bahia (litografia, 1865)Jean Leon Pallière Grandjean Ferreira, 2013 · Wikimedia Commons · domínio público
O que aconteceu
Denunciado na véspera, o movimento estourou mesmo assim, entre 24 e 25 de janeiro de 1835. Guardas que revistaram uma casa de reunião foram atacados. Os rebeldes tentaram tomar a prisão da Câmara Municipal para libertar Pacífico Licutan, líder idoso, e atacaram quartéis.
O combate decisivo foi em Água de Meninos, perto do quartel de cavalaria, onde mais de quinhentos rebeldes foram barrados por forças maiores e mais bem armadas. Morreram 70 revoltosos e sete homens das tropas oficiais, segundo a Fundação Palmares e a MultiRio.
Entre os líderes, a Fundação Palmares cita os nagôs Ahuna, Pacífico Licutan, Sule e Manuel Calafate, liberto, e o liberto haussá Elesbão do Carmo, ou Dandará.
O que veio depois
Em 4 de março, o governo autorizou deportar ou desterrar suspeitos, registra o Arquivo Nacional. Quase 300 pessoas foram presas e julgadas, segundo a Fundação Palmares; a MultiRio fala em 200 levados aos tribunais e mais de 500 africanos expulsos para a África. As penas foram açoites, trabalhos forçados, degredo e morte para líderes.
Os muçulmanos foram proibidos de circular à noite e de celebrar o culto. Segundo o Arquivo do Senado, o levante acelerou a lei de 10 de junho de 1835, que tornou obrigatória a forca para o escravo que matasse ou ferisse gravemente o senhor.
Relato escrito sobre as fontes listadas abaixo, conferidas em 28/10/2026.
Referências
Fundação Cultural Palmares; MAPA (24 e 25 de janeiro)
Documentos oficiais
- Cronologia do período imperial (1822 a 1889) · Arquivo Nacional (MAPA)
Para ler mais
- Você já ouviu falar sobre a Revolta dos Malês? · Fundação Cultural Palmares
- 188 anos da Revolta dos Malês · Fundação Cultural Palmares
- A Revolta dos Malês · MultiRio (Prefeitura do Rio)
- Revolta dos Malês (artigo) · MultiRio (Prefeitura do Rio)
- Império usou a forca para conter escravos assassinos · Agência Senado (Arquivo S)
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