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República

República / marcos / o império

O Império (1822–1889) · política e instituições

A Cabanagem

7 de janeiro de 1835

Belém do Pará na primeira metade do século XIX, no Atlas de Spix e MartiusJohann Baptist von Spix & Carl Friedrich Philipp von Martius · Wikimedia Commons · domínio público

Em 7 de janeiro de 1835, rebeldes tomaram Belém e o governo do Grão-Pará. Indígenas, negros e mestiços, os cabanos, governaram a capital por períodos e resistiram no interior até 1840. Segundo a MultiRio, cerca de 30 mil dos quase 100 mil habitantes da província morreram.

O que havia antes

O Grão-Pará, que abrangia áreas hoje de Amazonas, Roraima, Amapá e Rondônia, só aderiu à independência em agosto de 1823, à força. Em 1823, cerca de 300 presos morreram sufocados a bordo do brigue Palhaço, na repressão do mercenário Grenfell, segundo a MultiRio.

A maioria da população, de indígenas destribalizados, tapuios, negros escravizados e libertos e mestiços, vivia em cabanas à beira dos rios e trabalhava em regime de semiescravidão na coleta das drogas do sertão, na madeira e na pesca. Os cargos e o comércio estavam com portugueses.

Eduardo Angelim (1814-1882), terceiro presidente cabano do Pará

Eduardo Angelim (1814-1882), terceiro presidente cabano do Paráautor desconhecido · Wikimedia Commons · domínio público

O que aconteceu

Em 7 de janeiro de 1835 começou a Cabanagem, revolta que, segundo o Arquivo Nacional, partiu de Belém e chegou ao interior, onde “índios, negros e mestiços rebelaram-se contra as elites locais e assumiram o governo da província”.

Documento do governo cabano assinado por Francisco Pedro Vinagre, 1º de maio de 1835
O documento

Documento do governo cabano assinado por Francisco Pedro Vinagre, 1º de maio de 1835Francisco Pedro Vinagre · Wikimedia Commons · domínio público

Em 22 de setembro de 1835, uma lei suspendeu no Pará as garantias do artigo 179 da Constituição. Em abril de 1836, o regente Feijó mandou uma esquadra sob o brigadeiro Soares de Andrea, que retomou Belém, então quase só de mulheres. Os cabanos foram para o interior e resistiram por mais três anos.

O que veio depois

Segundo o Arquivo Nacional, a Cabanagem terminou em 25 de março de 1840, com a rendição de Gonçalves Jorge Magalhães, último líder cabano, “após a morte de milhares de revoltosos”. A MultiRio estima 30 mil mortos, 30% da população.

O Senado registra que a revolta acabou no dia seguinte ao decreto de anistia de 1840, assinado depois da maioridade de d. Pedro II. Caio Prado Júnior, citado pela MultiRio, viu nela o único movimento em que as camadas mais pobres ocuparam o poder de uma província com alguma estabilidade.

Belém em 1867, foto de Felipe Augusto Fidanza

Belém em 1867, foto de Felipe Augusto FidanzaFelipe Augusto Fidanza, 1867 · Wikimedia Commons · domínio público

Relato escrito sobre as fontes listadas abaixo, conferidas em 28/10/2026.

Referências

Arquivo Nacional, MAPA, cronologia do período imperial

Documentos oficiais

Para ler mais

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