Pular para o conteúdo
República

República / marcos / o império

O Império (1822–1889) · política e instituições

A Balaiada

13 de dezembro de 1838

O Memorial da Balaiada, em Caxias (MA), cidade tomada pelos balaios em 1839Almanaque Lusofonista, 2016 · Wikimedia Commons (origem: Ministério da Cultura (Flickr)) · CC BY 3.0 br

Em 13 de dezembro de 1838, o vaqueiro Raimundo Gomes atacou a cadeia da vila da Manga, no Maranhão, e começou a Balaiada. A revolta reuniu sertanejos, artesãos, escravizados e quilombolas, chegou ao Piauí e ao Ceará e tomou Caxias. Foi vencida em 1841.

O que havia antes

O Maranhão tinha cerca de 200 mil habitantes, 90 mil escravizados, segundo a MultiRio, e vivia a crise do algodão. A política opunha cabanos, conservadores, e bem-te-vis, liberais. Leis como a dos prefeitos e a do recrutamento eram aplicadas com arbítrio, segundo estudos citados por Maria de Lourdes Janotti.

Na véspera do episódio da Manga, em 12 de dezembro de 1838, Francisco Ferreira, o Balaio, já arrombara a cadeia da cidade do Brejo, registra Janotti.

Auguste Petit, retrato do duque de Caxias (1881), que comandou a repressão à Balaiada

Auguste Petit, retrato do duque de Caxias (1881), que comandou a repressão à BalaiadaAuguste Petit, 1881 · Wikimedia Commons · domínio público

O que aconteceu

Em 13 de dezembro de 1838, Raimundo Gomes arrombou a cadeia da vila da Manga e soltou presos. É a data que o Arquivo Nacional dá para o início da revolta, “de caráter popular e inspiração liberal”. O nome vem de Manuel Francisco dos Anjos Ferreira, o Balaio, fabricante de balaios.

Documento da Balaiada no Piauí (1843)
O documento

Documento da Balaiada no Piauí (1843)Governo do Piauí -JOSÉ MARTINS DE SOUZA, 1843 · Wikimedia Commons · domínio público

Em julho de 1839, os rebeldes tomaram Caxias, segunda cidade da província. O negro Cosme, à frente de um grupo estimado em 3 mil escravizados, segundo a Câmara, deu à revolta uma face de insurreição escrava, o que afastou os liberais.

“quanto ao negro Cosme, como bem previ e te anunciei, foi metido a ferros na cadeia, aqui, na capital.”

Marta, nobre espanhola residente em São LuísCarta citada por Maria de Lourdes Janotti, “Balaiada: construção da memória histórica”, c. 1841a fonte

O que veio depois

O governo central mandou Luís Alves de Lima e Silva, que assumiu a presidência da província. A repressão, apoiada por cabanos e bem-te-vis, combinou anistia a quem se rendesse com a obrigação de combater os antigos companheiros, segundo Janotti.

Cosme ficou só, foi preso e enforcado em praça pública. O Arquivo Nacional registra o fim da Balaiada em 19 de janeiro de 1841. Em 2018, a Câmara fez sessão solene pelos 180 anos da revolta.

A memória da revolta mudou com o tempo, mostra Janotti. Os primeiros cronistas trataram os balaios como bandidos sem bandeira. Carlota Carvalho, em O Sertão (1924), e Astolfo Serra, em A Balaiada (1948), reabilitaram os chefes. Em 1983, Maria Januária Vilela Santos estudou a participação escrava, que teria levado os liberais a abandonar o movimento.

Giuseppe Leone Righini, “Vista de São Luís do Maranhão” (1863)

Giuseppe Leone Righini, “Vista de São Luís do Maranhão” (1863)Giuseppe Leone Righini, 1863 · Wikimedia Commons · domínio público

Relato escrito sobre as fontes listadas abaixo, conferidas em 28/10/2026.

Referências

Arquivo Nacional, MAPA, cronologia do período imperial

Reportar erroDireito de resposta

Toda mensagem é conferida na fonte oficial antes de mudar a página. Como corrigimos

Acessibilidade

As escolhas valem para todo o site e ficam guardadas só neste aparelho.

Tamanho do texto
Contraste
Movimento
Letra do texto corrido