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República

República / marcos / o império

O Império (1822–1889) · política e instituições

O golpe da Maioridade

23 de julho de 1840

Claude Joseph Barandier, “Pedro II em sua maioridade” (1840)Claude Joseph Barandier, 1840 · Wikimedia Commons · domínio público

Em 23 de julho de 1840, a Assembleia Geral declarou maior d. Pedro II, aos 14 anos, quatro antes do que a Constituição exigia. O jovem prestou juramento e a Regência acabou. O arranjo, articulado pelos liberais com apoio da corte, ficou conhecido como Golpe da Maioridade.

O que havia antes

A Constituição de 1824 fazia o imperador menor até os 18 anos completos. Desde 1835 circulava a ideia de antecipar a maioridade, diz o Arquivo Nacional. As revoltas regenciais assustavam os proprietários; a Farroupilha e a Balaiada continuavam.

Em 12 de maio de 1840, os conservadores aprovaram a lei de interpretação do Ato Adicional, que reduzia a autonomia das províncias. Em abril, os liberais criaram o Clube da Maioridade, por proposta do senador José Martiniano de Alencar, presidido por Antônio Carlos de Andrada. O grupo palaciano, o Clube da Joana, também apoiava.

Abaixo-assinado de deputados e senadores pela maioridade, 22 de julho de 1840

Abaixo-assinado de deputados e senadores pela maioridade, 22 de julho de 1840autor desconhecido · Wikimedia Commons (origem: Arquivo Nacional) · domínio público

O que aconteceu

Em 21 de julho, os liberais apresentaram à Assembleia Geral um projeto de declaração da maioridade. O governo regencial tentou adiar as sessões para novembro. Deputados e senadores formaram uma comissão que foi ao palácio perguntar ao príncipe se aceitava; segundo o Arquivo do Senado, ele respondeu “sim”.

Documento da declaração da maioridade de d. Pedro II (1840)
O documento

Documento da declaração da maioridade de d. Pedro II (1840)Governo do Brasil/D. Pedro I., 1840 · Wikimedia Commons · domínio público

Em 23 de julho de 1840, a Assembleia Geral declarou a maioridade, e d. Pedro II prestou juramento. Os cronistas atribuíram a ele a resposta “Quero já!”, registra a MultiRio. O historiador Antonio Barbosa, ouvido pelo Senado, chama o episódio de golpe de Estado.

“Juro manter a religião católica apostólica romana, a integridade e indivisibilidade do Império, observar e fazer observar a Constituição política da nação brasileira, e mais leis do Império, e prover ao bem geral do Brasil, quanto em mim couber”

d. Pedro IIJuramento perante a Assembleia Geral, transcrito pela MultiRio, 23/07/1840a fonte

O que veio depois

No dia 24 foi nomeado o Ministério da Maioridade, dos irmãos Andrada e Cavalcanti. A Câmara, conservadora, foi dissolvida, e as eleições de 1840 ficaram conhecidas como “eleições do cacete”, pela violência e pela fraude, segundo a MultiRio. Em 22 de agosto, uma anistia alcançou crimes políticos nas províncias.

Em 1841 os conservadores voltaram ao governo, recriaram o Conselho de Estado em 23 de novembro e reformaram o Código do Processo em dezembro. D. Pedro II foi sagrado e coroado em 18 de julho de 1841. Reinou até 1889.

Manuel de Araújo Porto-Alegre, a coroação de d. Pedro II (julho de 1841), um ano depois da maioridade

Manuel de Araújo Porto-Alegre, a coroação de d. Pedro II (julho de 1841), um ano depois da maioridadeManuel de Araújo Porto-Alegre, 1840 · Wikimedia Commons (origem: Museu Histórico Nacional) · domínio público

Pedro de Araújo Lima, o último regente, afastado pela maioridade

Pedro de Araújo Lima, o último regente, afastado pela maioridadeautor desconhecido (Dias, p.201) · Wikimedia Commons · domínio público

Relato escrito sobre as fontes listadas abaixo, conferidas em 28/10/2026.

Referências

Arquivo Nacional, MAPA, cronologia do período imperial

Documentos oficiais

Para ler mais

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