Antônio Parreiras, “Bênção das bandeiras da Revolução de 1817”Antônio Parreiras · Wikimedia Commons · domínio público
Em 6 de março de 1817, uma revolta no Recife derrubou o governador e instalou um governo provisório republicano. O movimento chegou à Paraíba, ao Rio Grande do Norte e ao Ceará. Durou pouco mais de dois meses: em maio as tropas da Coroa retomaram o Recife, e vários líderes foram executados.
- c. 2 mesesde governo provisório
- 5membros do governo provisório
- 500 mil francosoferecidos por comerciantes portugueses para que o governo desistisse (MultiRio)
O que havia antes
A corte no Rio aumentou os impostos sobre açúcar, tabaco e couros e cobrou das capitanias do Norte recrutas e contribuições para as guerras na Guiana e no Prata. Pernambuco vivia a crise do açúcar e do algodão e a seca de 1816, segundo a MultiRio.
Militares de origem brasileira se queixavam de que os melhores postos iam para portugueses. Lojas maçônicas, como Patriotismo e Pernambuco do Oriente, discutiam as ideias liberais. O governador mandou prender suspeitos ligados a elas, e a ordem precipitou a revolta.

Gravura comemorativa do centenário da revolução republicana de 1817autor desconhecido · Wikimedia Commons (origem: Biblioteca Nacional) · domínio público
O que aconteceu
Em 6 de março de 1817 estourou a revolução; em 7 formou-se o governo provisório. Dele faziam parte o comerciante Domingos José Martins, o advogado José Luís de Mendonça, o capitão Domingos Teotônio Jorge, o padre João Ribeiro e Manuel Correia de Araújo. Em 8 foi criada a primeira tipografia do Recife; em 10 saiu o manifesto.

Página do processo original dos réus da rebelião de Pernambuco (1819)autor desconhecido · Wikimedia Commons (origem: Arquivo Nacional) · domínio público
Uma Lei Orgânica proclamou a república, a igualdade de direitos, a tolerância religiosa e a liberdade de imprensa, e previu uma Constituinte em um ano. Aboliu os pronomes de tratamento da elite. Não aboliu a escravidão: o governo publicou que as propriedades “serão sagradas”.
Muitos padres aderiram, e o movimento ficou conhecido como Revolução dos Padres. Os líderes buscaram apoio nos Estados Unidos, na Argentina e na Inglaterra, sem sucesso.
“Patriotas, vossas propriedades, ainda as mais opugnantes ao ideal de justiça, serão sagradas; o Governo porá meios de diminuir o mal, não o fará cessar pela força.”
O que veio depois
Tropas enviadas pelo Rio, com forças de comerciantes e proprietários, ocuparam o Recife em maio. A partir de 19 de maio, segundo o Arquivo Nacional, o movimento foi controlado, com prisões e execuções. Foram condenados à morte, entre outros, Domingos José Martins, José Luís de Mendonça, Domingos Teotônio Jorge e o padre Miguelinho.
Em 6 de agosto, uma carta régia mandou devassar a capitania. A comarca das Alagoas, que lutou contra os revoltosos, foi separada de Pernambuco. Em 6 de fevereiro de 1818, um decreto suspendeu as devassas e perdoou quem não tinha culpa formada. Presos na Bahia, Frei Caneca e Antônio Carlos de Andrada foram soltos em 1821.

Domingos José Martins, um dos líderes do governo provisório, executado em 1817M. J. Garnier · Wikimedia Commons · domínio público

A bandeira da república de 1817, aquarela de épocaautor desconhecido, 1817 · Wikimedia Commons · domínio público
Relato escrito sobre as fontes listadas abaixo, conferidas em 28/10/2026.
Referências
Arquivo Nacional, MAPA, cronologia do período joanino
Documentos oficiais
- Cronologia do período joanino (1808 a 1822) · Arquivo Nacional (MAPA)
Para ler mais
- Revolução Pernambucana de 1817 · MultiRio (Prefeitura do Rio)
- Revolução Pernambucana: o movimento · MultiRio (Prefeitura do Rio)
- Revolução Pernambucana: a luta, a repressão e o fim do movimento · MultiRio (Prefeitura do Rio)
- Senado homenageia bicentenário da Revolução Pernambucana · Agência Senado
- Sessão especial lembrará a Revolução Pernambucana, que completa 200 anos · Agência Senado
- Humberto Costa relembra Revolução Pernambucana de 1817 · Agência Senado
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