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República / marcos / a corte no brasil e o reino unido

A corte no Brasil e o Reino Unido (1808–1822) · política e instituições

O Dia do Fico

9 de janeiro de 1822

Henrique José da Silva, retrato de d. Pedro (c. 1825), príncipe regente no Dia do FicoHenrique José da Silva (1792-1834) · Wikimedia Commons · domínio público

Em 9 de janeiro de 1822, d. Pedro, regente do Brasil, anunciou que não voltaria a Portugal, contra a ordem das Cortes de Lisboa. A frase “diga ao povo que fico” é a do termo de vereação do Senado da Câmara do Rio, mas aparece como emenda no próprio documento.

O que havia antes

A Revolução do Porto, de 1820, exigiu a volta de d. João VI, que partiu em abril de 1821 e deixou d. Pedro como regente. Uma lei de 1º de outubro de 1821 transmitiu a ordem das Cortes para que d. Pedro também voltasse. Quando ela chegou ao Rio, em dezembro, os protestos cresceram.

Livre da censura desde 1821, a imprensa, como o Reverbero Constitucional Fluminense, defendia a autonomia. José Clemente Pereira, presidente do Senado da Câmara, recolheu assinaturas pedindo que o príncipe ficasse; a MultiRio fala em oito mil. Emissários foram a São Paulo e Minas buscar apoio.

Debret, o Dia do Fico: o príncipe regente recebe a representação do Senado da Câmara (gravura de 1834-1839)

Debret, o Dia do Fico: o príncipe regente recebe a representação do Senado da Câmara (gravura de 1834-1839)Jean-Baptiste Debret · Wikimedia Commons · domínio público

O que aconteceu

Em 9 de janeiro de 1822, os vereadores levaram as representações ao Paço ao meio-dia. Segundo o termo de vereação, d. Pedro respondeu: “Como é para bem de todos e felicidade geral da Nação, estou pronto: diga ao povo que fico.” Entre os vivas registrados está “Viva a união de Portugal com o Brasil”.

Edital do Senado da Câmara do Rio de Janeiro, 9 de janeiro de 1822, que anuncia ao povo a resposta do príncipe regente
O documento

Edital do Senado da Câmara do Rio de Janeiro, 9 de janeiro de 1822, que anuncia ao povo a resposta do príncipe regenteautor desconhecido · Wikimedia Commons (origem: Senado Federal) · domínio público

Schwarcz e Starling mostram que a frase tem história própria. O auto dá primeiro outra resposta, de que adiaria a saída “até que as Cortes e meu Augusto Pai e Senhor deliberem”, e corrige-a num pós-escrito com o “fico”. O edital do dia seguinte omite esse trecho (Schwarcz e Starling 2015, cap. 8, citando Oliveira Lima e o fac-símile de 1922).

“Como é para bem de todos e felicidade geral da Nação, estou pronto: diga ao povo que fico.”

d. Pedro, príncipe regenteTermo de vereação do Senado da Câmara do Rio de Janeiro, 09/01/1822a fonte

O que veio depois

No mesmo dia, tropas portuguesas sob Jorge de Avilez ocuparam o morro do Castelo contra o regente. Em 4 de maio, d. Pedro proibiu cumprir medidas das Cortes sem o seu “cumpra-se”. Em 13 de maio recebeu o título de Defensor Perpétuo do Brasil.

Em 3 de junho de 1822, convocou uma Assembleia Constituinte para o Brasil. Em 7 de setembro proclamou a independência. Para a MultiRio, o Fico marcou o início da separação, embora a união com Portugal ainda fosse saudada naquele dia.

Comemoração do centenário do Dia do Fico, no Rio, em 1922

Comemoração do centenário do Dia do Fico, no Rio, em 1922Núcleo de digitalização / IMS · Wikimedia Commons (origem: Instituto Moreira Salles) · domínio público

Relato escrito sobre as fontes listadas abaixo, conferidas em 28/10/2026.

Referências

Arquivo Nacional, cronologia do período imperial

Documentos oficiais

Para ler mais

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