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A Era Vargas (1930–1945) · política e instituições

A Revolução Constitucionalista

9 de julho de 1932 · governo de Getúlio Vargas

Voluntários e voluntárias paulistas reunidos numa estação de trem, 16 de julho de 1932Autor não identificado, 1932 · Wikimedia Commons · domínio público

Em 9 de julho de 1932, São Paulo pegou em armas contra o Governo Provisório de Getúlio Vargas e exigiu uma constituição. Sem o apoio esperado de Minas Gerais e do Rio Grande do Sul, rendeu-se em 1º de outubro. Perdeu na guerra, mas a Constituinte foi eleita em maio de 1933.

O que havia antes

São Paulo tinha sido a principal base política da Primeira República, o arranjo que a Revolução de 1930 dizia combater. Depois da vitória, Vargas nomeou um delegado militar para governar o estado, o tenente João Alberto Lins de Barros, que ficou até 13 de julho de 1931. Seguiram-se interventores de curta duração e muita instabilidade, segundo o CPDOC.

Em fevereiro de 1932, o Partido Democrático rompeu com Vargas e se aliou ao antigo adversário, o Partido Republicano Paulista. Os dois formaram a Frente Única Paulista, que pedia a volta ao regime constitucional e autonomia para o estado. A Frente passou a articular, com militares e entidades patronais, um movimento armado contra o Governo Provisório.

Vargas tentou recuar. Nomeou o civil paulista Pedro de Toledo interventor, editou o Código Eleitoral em 24 de fevereiro de 1932 e marcou eleições para maio de 1933. Em maio, quatro manifestantes morreram num confronto na praça da República, diante da sede da Legião Revolucionária. As iniciais de Miragaia, Martins, Dráusio e Camargo deram nome à sociedade secreta MMDC.

Soldados constitucionalistas em posição num campo, 1932

Soldados constitucionalistas em posição num campo, 1932Autor não identificado, 1932 · Wikimedia Commons · domínio público

O que aconteceu

Em 9 de julho de 1932, a revolta começou na capital paulista. O CPDOC registra a liderança do general Isidoro Dias Lopes, o mesmo do levante de 1924, com os militares Bertoldo Klinger e Euclides Figueiredo. Segundo a Assembleia Legislativa de São Paulo, uma junta revolucionária assinada por Francisco Morato, Isidoro, Klinger, Pádua Sales e Pedro de Toledo proclamou o movimento, e Toledo foi aclamado presidente do estado no dia seguinte.

O estado viveu um esforço de guerra. As indústrias passaram a produzir armamento, e a Campanha do Ouro para o Bem de São Paulo recolheu doações. A Assembleia paulista conta cerca de 200 mil voluntários inscritos e cerca de 66 mil combatentes, entre voluntários e tropas do Exército e da Força Pública. Os combates se deram sobretudo em São Paulo e em Mato Grosso.

Os governos de Minas Gerais e do Rio Grande do Sul apoiavam a constitucionalização, mas ficaram com o Governo Provisório. Isolado e com armamento precário, o movimento perdeu. A rendição foi assinada em 1º de outubro de 1932, segundo o CPDOC; a Força Pública fez um acordo de paz em separado com o governo federal, segundo a Assembleia paulista, que conta 85 dias de conflito, de 9 de julho a 2 de outubro.

O que veio depois

Os principais líderes tiveram os direitos políticos cassados e foram deportados para Portugal. O general Valdomiro Lima, tio de Darcy Vargas, mulher de Getúlio, foi nomeado interventor e ficou até 1933. As fontes divergem sobre os mortos: o verbete de Vargas no CPDOC fala em seiscentos mortos na guerra; a Assembleia paulista, em 830 soldados mortos do lado constitucionalista.

Na economia, o governo manteve a compra e a retenção de estoques de café, renegociou dívidas de cafeicultores e aceitou os bônus de guerra paulistas como moeda legal. Na política, reativou a comissão do anteprojeto de constituição. Nas eleições de 3 de maio de 1933, a Chapa Única por São Paulo Unido venceu no estado.

Em agosto de 1933, um civil paulista, Armando de Sales Oliveira, assumiu a interventoria. Ao fim da votação da Constituição de 1934, a Assembleia Constituinte aprovou anistia a quem fora atingido pelas agitações anteriores, principalmente as de 1932, segundo a Câmara. Em 2011, a Lei nº 12.430 inscreveu Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo no Livro dos Heróis da Pátria.

Embarque de tropas constitucionalistas num vagão com a cruz vermelha, 1932

Embarque de tropas constitucionalistas num vagão com a cruz vermelha, 1932Autor não identificado, 1932 · Wikimedia Commons · domínio público

Relato escrito sobre as fontes listadas abaixo, conferidas em 28/10/2026.

Na República

Referências

FGV CPDOC, “A Revolução Constitucionalista de 1932”

Para ler mais

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