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República / marcos / a república de 1946

A República de 1946 (1945–1964) · política e instituições

A renúncia de Jânio e a Legalidade

25 de agosto de 1961 · governo de Ranieri Mazzilli

O plenário do Congresso na sessão sobre a renúncia de Jânio Quadros, agosto de 1961Agência Senado from Brasilia, Brazil, 1961 · Agência Senado, série “200 anos do Senado Federal” (via Wikimedia Commons) (acervo do Senado Federal) · CC BY 2.0 — Creative Commons Attribution 2.0

Em 25 de agosto de 1961, Jânio Quadros renunciou à Presidência com um bilhete ao Congresso, menos de sete meses depois da posse. O Congresso aceitou a renúncia na hora. Os ministros militares vetaram a posse do vice, João Goulart; Leonel Brizola ameaçou resistir em armas. A saída foi o parlamentarismo do Ato Adicional, de 2 de setembro.

O que havia antes

Jânio foi eleito em 1960 com o apoio da UDN, embora pertencesse ao PTN, partido paulista pequeno. Na campanha, abandonou a candidatura e voltou depois de ganhar carta branca para dirigir a campanha, segundo o Arquivo S do Senado. Prometia varrer a corrupção com a “vassourinha” e dizia não gostar de partidos.

No governo, não teve maioria no Senado nem na Câmara e não buscou coalizão. Dava ordens aos ministros por bilhetes, que vazavam para a imprensa. Transferiu provisoriamente a sede do governo de Brasília para São Paulo e abriu sindicância que acusou, sem provas, o vice João Goulart, segundo o Arquivo S.

Leonel Brizola fala ao microfone da Cadeia da Legalidade no Palácio Piratini, 27 de agosto de 1961

Leonel Brizola fala ao microfone da Cadeia da Legalidade no Palácio Piratini, 27 de agosto de 1961Autor não identificado, 1961 · Wikimedia Commons (Museu de Comunicação Hipólito José da Costa) · domínio público

O que aconteceu

Em 25 de agosto de 1961, o ministro da Justiça, Oscar Pedroso Horta, entregou ao Congresso o bilhete de renúncia, com uma carta em que Jânio dizia ter sido “vencido pela reação”. O senador Lino de Mattos tentou tomar o papel para rasgá-lo. O vice-presidente do Senado, Auro de Moura Andrade, guardou um telex do chanceler Afonso Arinos que pedia cautela, e o Congresso aceitou a renúncia sem questionar.

Segundo historiadores citados pelo Arquivo S, a renúncia seria o primeiro passo de um autogolpe: Jânio esperava ser chamado de volta com mais poderes. Goulart estava na China, em missão oficial. O presidente da Câmara, Ranieri Mazzilli, assumiu a Presidência. Os ministros militares se opuseram à posse de Goulart.

No Rio Grande do Sul, o governador Leonel Brizola ameaçou pegar em armas para garantir a Constituição, na Campanha da Legalidade. O país ficou à beira da guerra civil, diz o Arquivo S. Deputados e senadores negociaram com Goulart a troca do presidencialismo pelo parlamentarismo, e os militares aceitaram a posse com poderes reduzidos.

“A renúncia ao governo foi a tática premeditada de um homem que se julgava o único capaz de reorganizar a vida nacional.”

Argemiro de Figueiredo, senador (PTB-PB)Discurso no Senado, citado pelo Arquivo S, 1961a fonte

O que veio depois

Em 2 de setembro de 1961, as Mesas da Câmara e do Senado promulgaram a Emenda Constitucional nº 4, o Ato Adicional. O artigo 1º passou o Poder Executivo ao presidente e a um Conselho de Ministros. O artigo 25 permitiu um plebiscito sobre a manutenção do sistema. Mazzilli governou até 8 de setembro, segundo a Câmara, e Goulart assumiu.

Em plebiscito de 1963, os eleitores decidiram pela volta do presidencialismo, e a Emenda nº 6, de 1963, revogou o Ato Adicional. Em 31 de março de 1964, começou o golpe que depôs Goulart.

Brizola, armado, percorre o Palácio Piratini durante a Campanha da Legalidade, 1961

Brizola, armado, percorre o Palácio Piratini durante a Campanha da Legalidade, 1961Desconhecido, 1961 · Wikimedia Commons · domínio público

Jânio Quadros, foto oficial de presidente, 1961

Jânio Quadros, foto oficial de presidente, 1961Governo do Brasil · Wikimedia Commons (Governo do Brasil) · domínio público

Relato escrito sobre as fontes listadas abaixo, conferidas em 28/10/2026.

Referências

Agência Senado, Arquivo S

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