O plenário do Congresso na sessão sobre a renúncia de Jânio Quadros, agosto de 1961Agência Senado from Brasilia, Brazil, 1961 · Agência Senado, série “200 anos do Senado Federal” (via Wikimedia Commons) (acervo do Senado Federal) · CC BY 2.0 — Creative Commons Attribution 2.0
Em 25 de agosto de 1961, Jânio Quadros renunciou à Presidência com um bilhete ao Congresso, menos de sete meses depois da posse. O Congresso aceitou a renúncia na hora. Os ministros militares vetaram a posse do vice, João Goulart; Leonel Brizola ameaçou resistir em armas. A saída foi o parlamentarismo do Ato Adicional, de 2 de setembro.
- menos de 7 mesesde governo Jânio
- 5 anosmandato previsto
- 2 semanasaté o fim da crise (Arquivo S)
- 9 mesesantes do fim do mandato, prazo para o plebiscito no Ato Adicional
O que havia antes
Jânio foi eleito em 1960 com o apoio da UDN, embora pertencesse ao PTN, partido paulista pequeno. Na campanha, abandonou a candidatura e voltou depois de ganhar carta branca para dirigir a campanha, segundo o Arquivo S do Senado. Prometia varrer a corrupção com a “vassourinha” e dizia não gostar de partidos.
No governo, não teve maioria no Senado nem na Câmara e não buscou coalizão. Dava ordens aos ministros por bilhetes, que vazavam para a imprensa. Transferiu provisoriamente a sede do governo de Brasília para São Paulo e abriu sindicância que acusou, sem provas, o vice João Goulart, segundo o Arquivo S.

Leonel Brizola fala ao microfone da Cadeia da Legalidade no Palácio Piratini, 27 de agosto de 1961Autor não identificado, 1961 · Wikimedia Commons (Museu de Comunicação Hipólito José da Costa) · domínio público
O que aconteceu
Em 25 de agosto de 1961, o ministro da Justiça, Oscar Pedroso Horta, entregou ao Congresso o bilhete de renúncia, com uma carta em que Jânio dizia ter sido “vencido pela reação”. O senador Lino de Mattos tentou tomar o papel para rasgá-lo. O vice-presidente do Senado, Auro de Moura Andrade, guardou um telex do chanceler Afonso Arinos que pedia cautela, e o Congresso aceitou a renúncia sem questionar.
Segundo historiadores citados pelo Arquivo S, a renúncia seria o primeiro passo de um autogolpe: Jânio esperava ser chamado de volta com mais poderes. Goulart estava na China, em missão oficial. O presidente da Câmara, Ranieri Mazzilli, assumiu a Presidência. Os ministros militares se opuseram à posse de Goulart.
No Rio Grande do Sul, o governador Leonel Brizola ameaçou pegar em armas para garantir a Constituição, na Campanha da Legalidade. O país ficou à beira da guerra civil, diz o Arquivo S. Deputados e senadores negociaram com Goulart a troca do presidencialismo pelo parlamentarismo, e os militares aceitaram a posse com poderes reduzidos.
“A renúncia ao governo foi a tática premeditada de um homem que se julgava o único capaz de reorganizar a vida nacional.”
O que veio depois
Em 2 de setembro de 1961, as Mesas da Câmara e do Senado promulgaram a Emenda Constitucional nº 4, o Ato Adicional. O artigo 1º passou o Poder Executivo ao presidente e a um Conselho de Ministros. O artigo 25 permitiu um plebiscito sobre a manutenção do sistema. Mazzilli governou até 8 de setembro, segundo a Câmara, e Goulart assumiu.
Em plebiscito de 1963, os eleitores decidiram pela volta do presidencialismo, e a Emenda nº 6, de 1963, revogou o Ato Adicional. Em 31 de março de 1964, começou o golpe que depôs Goulart.

Brizola, armado, percorre o Palácio Piratini durante a Campanha da Legalidade, 1961Desconhecido, 1961 · Wikimedia Commons · domínio público

Jânio Quadros, foto oficial de presidente, 1961Governo do Brasil · Wikimedia Commons (Governo do Brasil) · domínio público
Relato escrito sobre as fontes listadas abaixo, conferidas em 28/10/2026.
Referências
Documentos oficiais
- Emenda Constitucional nº 4, de 2 de setembro de 1961 (Ato Adicional) · Presidência da República (Planalto)
- Constituição dos Estados Unidos do Brasil, de 18 de setembro de 1946 · Presidência da República (Planalto)
Para ler mais
- Em 1961, Congresso aceitou renúncia e abortou golpe de Jânio Quadros (Ricardo Westin, 06/08/2021) · Agência Senado, Arquivo S
- A Quarta República (1945-1964) · Câmara dos Deputados
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