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República

República / marcos / a primeira república

A Primeira República (1889–1930) · política e instituições

A Proclamação da República

15 de novembro de 1889 · governo de Deodoro da Fonseca

Benedito Calixto, “Proclamação da República” (1893): as tropas no Campo de Santana, 15 de novembro de 1889Benedito Calixto, 1893 · Pinacoteca Municipal de São Paulo (via Wikimedia Commons) · domínio público

Na manhã de 15 de novembro de 1889, tropas do Exército sob Deodoro da Fonseca derrubaram o gabinete do visconde de Ouro Preto no Rio. À noite, o Governo Provisório assinou o Decreto nº 1, que proclamou “provisoriamente” a República Federativa e transformou as províncias em Estados Unidos do Brasil. D. Pedro II e a família foram banidos.

O que havia antes

No Império, a Câmara era temporária, o Senado vitalício, e o imperador detinha o Poder Moderador. O Manifesto Republicano saiu em 3 de dezembro de 1870, e o Partido Republicano Paulista nasceu na Convenção de Itu, em 1873. Luiz Gama escreveu ao filho em 1870 que trabalhasse para que o país, “sem rei e sem escravos, se chame Estados Unidos do Brasil” (Gama, Direito, 1870-1875, carta de 23/9/1870, p. 150).

Em 1889, porém, o partido era pequeno. Na eleição de agosto para a Câmara, os seus três candidatos na Corte tiveram 12% dos votos; em São Paulo e no Rio Grande do Sul, tinha cerca de 25%, segundo o historiador Celso Castro. A conspiração foi militar. Veio sobretudo da “mocidade militar”, oficiais de patente baixa formados na Escola Militar da Praia Vermelha, ligados ao professor Benjamin Constant.

G. A. Roth, retrato do marechal Deodoro da Fonseca (1891), chefe do Governo Provisório

G. A. Roth, retrato do marechal Deodoro da Fonseca (1891), chefe do Governo ProvisórioG. A. Roth, 1891 · Wikimedia Commons · domínio público

O que aconteceu

Na noite de 14, oficiais dos regimentos de artilharia e cavalaria e alferes-alunos organizaram a saída das tropas. Ouro Preto se refugiou com o ministério no Quartel-General. Deodoro, doente, levantou-se e assumiu o comando dos rebeldes. Seriam uns 600 homens no Campo de Santana, contra cerca de 2 mil do governo, estima Castro.

Não houve combate. O ajudante-general Floriano Peixoto não cumpriu as ordens de resistir. O ministro da Marinha, barão de Ladário, sacou a arma e foi ferido a tiros. Ouro Preto capitulou. Deodoro entrou no QG e anunciou que organizaria outro ministério; não falou em mudança de regime.

Só à noite se formou o Governo Provisório: Deodoro, Benjamin Constant, Quintino Bocaiuva, Rui Barbosa, Aristides Lobo, Campos Sales, Eduardo Wandenkolk e Demétrio Ribeiro. O Decreto nº 1 proclamou “provisoriamente” a República Federativa. O art. 7º remetia ao “pronunciamento definitivo da Nação, livremente expressado pelo sufrágio popular”. O Rio de Janeiro ficou como sede provisória do poder federal.

“O povo assistiu àquilo bestializado, atônito, surpreso, sem conhecer o que significava. Muitos acreditaram seriamente estar vendo uma parada.”

Aristides Lobo, ministro do Interior do Governo ProvisórioArtigo no Diário Popular, citado pela Agência Senado (Arquivo S), 18/11/1889a fonte

O que veio depois

Nos dias seguintes, soldados e militares de baixa patente se revoltaram em vários pontos do país; houve repressão e censura aos jornais, segundo Castro. Em 18 de novembro, Aristides Lobo escreveu que o povo assistira a tudo “bestializado”. Em 21 de dezembro, o Decreto nº 78-A baniu a família imperial, que desembarcou em Lisboa naquele mês.

O Governo Provisório extinguiu as assembleias provinciais, estabeleceu a liberdade de culto, extinguiu o padroado e instituiu o casamento civil em janeiro de 1890. Em 3 de dezembro de 1889, nomeou cinco juristas para o projeto de Constituição. A Constituinte, de 205 deputados e 63 senadores, instalou-se em 15 de novembro de 1890.

A Constituição saiu em 24 de fevereiro de 1891, e no dia seguinte o Congresso elegeu Deodoro presidente. O plebiscito que o decreto de 1889 anunciava só ocorreu 104 anos depois, em 1993: a República teve 86,6% dos votos válidos.

A proclamação da República no Rio, desenho de Georges Scott para a imprensa francesa (1889)

A proclamação da República no Rio, desenho de Georges Scott para a imprensa francesa (1889)Georges Scott · Wikimedia Commons · domínio público

Ovação popular a Deodoro e Bocaiúva na rua do Ouvidor (1889)

Ovação popular a Deodoro e Bocaiúva na rua do Ouvidor (1889)autor desconhecido, 1889 · Wikimedia Commons · domínio público

Relato escrito sobre as fontes listadas abaixo, conferidas em 28/10/2026.

Referências

Presidência da República, Decreto nº 1/1889

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