Pular para o conteúdo
República

República / marcos / o império

O Império (1822–1889) · direitos

A Lei Áurea

13 de maio de 1888

A multidão diante do Paço da Cidade, no Rio, saúda a princesa Isabel logo depois da assinatura da Lei Áurea, 13 de maio de 1888Antônio Luiz Ferreira, 1888 · Instituto Moreira Salles / Coleção Princesa Isabel (via Wikimedia Commons) · domínio público

Em 13 de maio de 1888, um domingo, o Senado aprovou e a princesa Isabel, regente, sancionou a Lei nº 3.353, que declarou extinta a escravidão no Brasil. A lei tem dois artigos. Não previu indenização aos proprietários nem medida alguma para os libertos.

O que havia antes

Em 1888 ainda havia escravizados no Brasil, apesar das leis de 1871 e 1885. Para Angela Alonso, os resultados dessas leis foram tão pequenos que os abolicionistas passaram a fomentar fugas e rebeliões. Os fazendeiros reagiram com armas e milícias, e o país ficou “à beira de uma guerra civil”. Em 1887, o Exército recusou o papel de capitão do mato, numa reunião no Clube Militar.

Também em 1887, três projetos de abolição chegaram à Assembleia Geral; um deles, do senador Floriano de Godoy, por São Paulo, pedia o fim imediato. Em abril de 1888, a princesa Isabel libertou em cerimônia no Palácio de Cristal os últimos escravizados de Petrópolis. Destituiu o gabinete do barão de Cotegipe, líder escravista, e chamou o conservador João Alfredo Correia de Oliveira, em 10 de março.

O Senado vota o projeto da abolição, 13 de maio de 1888, foto de Antônio Luiz Ferreira

O Senado vota o projeto da abolição, 13 de maio de 1888, foto de Antônio Luiz FerreiraAntônio Luiz Ferreira · Wikimedia Commons · domínio público

O que aconteceu

Em 3 de maio, na abertura da sessão legislativa, a regente cobrou o fim da escravidão. Em 8 de maio, o gabinete de João Alfredo mandou à Câmara a proposta. Os deputados a aprovaram dois dias depois. No Senado, o projeto chegou em 11 de maio, e uma comissão especial deu parecer.

O original da Lei Áurea, 13 de maio de 1888
O documento

O original da Lei Áurea, 13 de maio de 1888Senado Imperial · Wikimedia Commons (origem: Arquivo Nacional) · domínio público

O senador Paulino de Souza, do Rio de Janeiro, confessou-se vencido e chamou o projeto de “inconstitucional, antieconômico e desumano”. O barão de Cotegipe foi um dos poucos senadores que votaram contra. No domingo, 13 de maio, o Senado aprovou o texto, e a regente o sancionou no Paço Imperial poucas horas depois.

O art. 1º declara: “É declarada extincta, desde a data desta Lei, a escravidão no Brazil”. O art. 2º revoga as disposições em contrário. A lei foi referendada por Rodrigo Augusto da Silva, secretário da Agricultura e interino dos Estrangeiros. Não fala em indenização aos senhores nem em terra, escola ou trabalho para os libertos.

“É declarada extincta, desde a data desta Lei, a escravidão no Brazil.”

Lei nº 3.353, art. 1ºLei nº 3.353, de 13 de maio de 1888, 13/05/1888a fonte

O que veio depois

Em 17 de maio, uma missa campal celebrou a abolição no Rio, com a princesa, o conde d’Eu e Machado de Assis presentes. Em setembro, o papa Leão XIII deu a Isabel a Rosa de Ouro. Os escravistas chamaram a abolição de “golpe de estado da Lei de 13 de maio”. A Monarquia caiu em 15 de novembro de 1889.

Lilia Schwarcz e Heloisa Starling (Brasil: uma biografia, 2015, cap. 13) mostram que, depois da abolição, o debate passou da cidadania para argumentos tirados da biologia, desenhando “uma espécie de subcidadania”. A fórmula que citam: “a liberdade era negra, mas a igualdade branca”.

Para Antônio Barbosa, ouvido pela Rádio Senado, a escravidão, “embora formalmente extinta”, ajuda a explicar o racismo e a desigualdade de hoje. O Arquivo do Senado reúne no Dossiê Lei Áurea os Anais de 1887 e 1888, o projeto da Câmara e a assinatura da lei.

Missa campal em ação de graças pela abolição, no Rio, maio de 1888, foto de Antônio Luiz Ferreira

Missa campal em ação de graças pela abolição, no Rio, maio de 1888, foto de Antônio Luiz FerreiraAntônio Luiz Ferreira (????-c.1906), 1888 · Wikimedia Commons (origem: Biblioteca Nacional) · domínio público

A princesa Isabel, c. 1887, foto de Joaquim Insley Pacheco

A princesa Isabel, c. 1887, foto de Joaquim Insley PachecoJoaquim Insley Pacheco · Wikimedia Commons · domínio público

Relato escrito sobre as fontes listadas abaixo, conferidas em 28/10/2026.

Referências

Presidência da República, Lei nº 3.353/1888

Reportar erroDireito de resposta

Toda mensagem é conferida na fonte oficial antes de mudar a página. Como corrigimos

Acessibilidade

As escolhas valem para todo o site e ficam guardadas só neste aparelho.

Tamanho do texto
Contraste
Movimento
Letra do texto corrido