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O Império (1822–1889) · direitos

Lei dos Sexagenários

28 de setembro de 1885

Escravizados numa fazenda de café, foto de Marc Ferrez (c. 1885), o ano da Lei dos SexagenáriosMarc Ferrez (1843-1923) · Wikimedia Commons · domínio público

Em 28 de setembro de 1885, a Lei nº 3.270, chamada Saraiva-Cotegipe, declarou libertos os escravizados de 60 anos ou mais. Mas os obrigou a servir aos antigos senhores por mais três anos, a título de indenização. A lei também fixou preços para os escravizados por idade e prendeu os libertos pelo fundo de emancipação ao município da alforria.

O que havia antes

Depois do Ventre Livre, o abolicionismo ganhou as ruas. Em 28 de setembro de 1880, Joaquim Nabuco, André Rebouças e outros fundaram a Sociedade Brasileira Contra a Escravidão. Em 1º de janeiro de 1883, a vila de Acarape, no Ceará, libertou todos os seus escravizados, e em 12 de maio nasceu a Confederação Abolicionista. O Ceará aboliu a escravidão em 25 de março de 1884, e o Amazonas, em 10 de julho.

Segundo Angela Alonso, um primeiro-ministro liberal pediu antes de 1885 a libertação dos mais velhos e direitos aos libertos, como salário mínimo e terras à beira das ferrovias. D. Pedro II o destituiu. A cronologia do Arquivo Nacional registra o gabinete liberal de Manuel Dantas em 1884, o de José Antônio Saraiva em maio de 1885 e o do barão de Cotegipe, conservador, em 20 de agosto.

O barão de Cotegipe, chefe do gabinete que aprovou a lei (Museu Paulista)

O barão de Cotegipe, chefe do gabinete que aprovou a lei (Museu Paulista)José Rosael/Hélio Nobre/Museu Paulista da USP · Wikimedia Commons (origem: Museu Paulista da USP) · CC BY-SA 4.0

O que aconteceu

A lei saiu sob Cotegipe, referendada pelo ministro da Agricultura Antônio da Silva Prado. Mandou fazer nova matrícula dos escravizados, com nome, idade e valor. O valor seguia uma tabela: 900$000 para menores de 30 anos, caindo até 200$000 entre 55 e 60. Para as mulheres, o preço era 25% menor.

Capa da Revista Illustrada n. 413 (1885), de Angelo Agostini: “o coveiro dos sexagenários”, charge contra a Lei Saraiva-Cotegipe
O documento

Capa da Revista Illustrada n. 413 (1885), de Angelo Agostini: “o coveiro dos sexagenários”, charge contra a Lei Saraiva-CotegipeUm Historiador, 2016 · Wikimedia Commons · domínio público

O art. 3º declarou libertos os escravizados de 60 anos completos, mas os obrigou a prestar serviços aos antigos senhores por três anos. Os que tivessem entre 60 e 65 anos ficavam livres da obrigação ao completar 65. A remissão desses serviços custava no máximo a metade do valor da faixa de 55 a 60 anos.

O liberto pelo fundo de emancipação ficou obrigado a morar cinco anos no município da alforria, salvo nas capitais. Quem saísse seria considerado vagabundo e apreendido pela polícia para trabalhar em obras públicas ou colônias agrícolas. O liberto sem ocupação tinha de se empregar no prazo fixado pela polícia.

No debate, uma emenda de José Bonifácio propôs a abolição sem indenização e sem meios graduais, lembra o consultor legislativo Marcos Magalhães à Rádio Senado. Não foi aceita.

“a prestar serviços a seus ex-senhores pelo espaço de tres annos”

Lei nº 3.270, art. 3º, § 10Lei nº 3.270, de 28 de setembro de 1885 (texto no Planalto), 28/09/1885a fonte

O que veio depois

Poucos escravizados chegavam aos 60 anos, pelo trabalho extenuante e pelas condições de vida, diz a Agência Senado. Caio Prado Júnior anota que a lei foi recebida com “uma estrondosa gargalhada” (História econômica do Brasil, p. 134). Angela Alonso a chama de “outra lei para inglês ver”.

Para Magalhães, a lei permitiu às elites do café adiar a decisão, mas canalizou a frustração popular para uma abolição de uma vez só, sem indenização. Em 1887, segundo a historiadora Mônica Dantas, do IEB-USP, o Exército recusou o papel de capitão do mato, numa reunião no Clube Militar. Três anos depois da lei, a Lei Áurea extinguiu a escravidão.

José Antônio Saraiva, que apresentou o projeto como chefe do gabinete anterior

José Antônio Saraiva, que apresentou o projeto como chefe do gabinete anteriorautor desconhecido · Wikimedia Commons · domínio público

Relato escrito sobre as fontes listadas abaixo, conferidas em 28/10/2026.

Referências

Presidência da República, Lei nº 3.270/1885

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