O general Góis Monteiro, chefe do Estado-Maior do Exército que divulgou o plano, em 1937Autor não identificado, 1937 · Arquivo Nacional, fundo Correio da Manhã (via Wikimedia Commons) · domínio público
Em 30 de setembro de 1937, o governo divulgou um suposto plano da Internacional Comunista para tomar o poder. O documento, depois chamado Plano Cohen, fora escrito pelo capitão integralista Olímpio Mourão Filho como “hipótese de trabalho”. Com ele, Vargas obteve o estado de guerra em 1º de outubro e deu o golpe do Estado Novo em 10 de novembro.
- 90 diasde estado de guerra pedidos em 1º de outubro
- 138votos a favor na Câmara
- 52 ou 58votos contra na Câmara (Câmara; CPDOC)
- 23 a 5votação no Senado (CPDOC)
- 8 anosentre a divulgação e a denúncia da fraude
O que havia antes
Desde o levante de 1935, Vargas governava com poderes de exceção. Em junho de 1937, com a campanha presidencial em curso, o governo deixou expirar o estado de guerra. A eleição seria em janeiro de 1938. Concorriam Armando de Sales Oliveira, da oposição, o situacionista José Américo e o chefe integralista Plínio Salgado.
Segundo o CPDOC, Vargas preparava o próprio golpe com Francisco Campos, autor da futura Constituição, e com os generais Eurico Dutra e Góis Monteiro. Plínio Salgado viu o projeto da nova Carta e aderiu. No fim de agosto, Mourão Filho, chefe do serviço secreto da Ação Integralista, escreveu um plano simulado de insurreição comunista; Plínio vetou sua distribuição, segundo a Câmara.

O general Olímpio Mourão Filho, autor do documento, em 1957Autor não identificado, 1957 · Arquivo Nacional, fundo Correio da Manhã (via Wikimedia Commons) · domínio público
O que aconteceu
Em 27 de setembro, Dutra reuniu os generais no Ministério da Guerra. Em ata, todos deram como certa a iminência de um golpe comunista; ninguém pôs em dúvida o documento. Em 30 de setembro, a imprensa publicou o comunicado do general Francisco José Pinto, chefe do Gabinete Militar, e o texto foi lido no programa oficial Hora do Brasil.

Correio da Manhã de 1º de outubro de 1937: “As instrucções do Komintern…”, o plano divulgado pelo Estado-MaiorCorreio da Manhã [newspaper]. Author not identified., 1937 · Wikimedia Commons (Correio da Manhã) · domínio público
Em 1º de outubro, Vargas pediu ao Congresso autorização para decretar o estado de guerra por 90 dias. O deputado paulista Waldemar Ferreira disse que as supostas instruções circulavam no Rio havia meses e vinham de um oficial integralista do Estado-Maior. A Câmara aprovou a medida por 138 votos a 52, segundo a Câmara, ou 138 a 58, segundo o CPDOC. O Senado a ratificou por 23 a 5.
Em 2 de outubro, o Decreto nº 2.005 declarou o estado de guerra. O documento divulgado era só o segundo capítulo de um texto maior; o primeiro, diz o historiador Hélio Silva citado pelo CPDOC, esclarecia que se tratava de um texto para debate. O governo lançou nova campanha anticomunista e mirou governadores contrários ao golpe.
“É uma ditadura militar que se anuncia, é a própria ditadura do Sr. Presidente da República que se pretende.”
O que veio depois
Em 10 de novembro de 1937, Vargas dissolveu o Congresso e outorgou a nova Constituição, cujo preâmbulo invocava a “infiltração comunista”. Em 2 de dezembro, fechou todos os partidos, inclusive a Ação Integralista. O verbete de Vargas no CPDOC afirma que o governo sabia que o documento era apócrifo.
A fraude só veio a público com o fim do Estado Novo. Em entrevista ao Jornal do Comércio de 16 de março de 1945, Góis Monteiro disse que o plano não fora apreendido, e sim entregue ao Estado-Maior. Em livro de 1955, apontou Mourão Filho como autor. Em 1956, num Conselho de Justificação do Exército, Mourão reconheceu a autoria e disse tê-lo escrito no fim de agosto de 1937.
Relato escrito sobre as fontes listadas abaixo, conferidas em 28/10/2026.
Referências
FGV CPDOC, verbete “Getúlio Vargas”
Documentos oficiais
- Constituição dos Estados Unidos do Brasil, de 10 de novembro de 1937 · Presidência da República (Planalto)
Para ler mais
- Plano Cohen (verbete) · FGV CPDOC, Dicionário Histórico-Biográfico Brasileiro
- A Segunda República (16/07/1934 a 10/11/1937) · Câmara dos Deputados
- A Terceira República (1937-1945) · Câmara dos Deputados
- Getúlio Vargas (verbete) · FGV CPDOC, Dicionário Histórico-Biográfico Brasileiro
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