O palácio da Imprensa Nacional, herdeira da Impressão Régia, na rua da Guarda Velha, no Rio (Ilustração Brasileira, 1878)Ilustração Brasileira de 1878, 1878 · Wikimedia Commons · domínio público
Em 13 de maio de 1808, um decreto do príncipe regente transformou em Impressão Régia os prelos trazidos para uma secretaria de Estado. Foi a primeira tipografia autorizada a funcionar no Brasil. Imprimia a legislação e podia imprimir “quaesquer outras obras”, sob censura prévia.
- 1.173títulos impressos de 1808 a 1822 (Lajolo e Zilberman)
- 532desses títulos em 1821 e 1822
- 13anos de monopólio no Rio (1808-1821)
O que havia antes
Até 1808 não houve tipografia em funcionamento regular no Brasil. Em 1747, a oficina de Antônio Isidoro da Fonseca, no Rio, foi fechada por ordem de Lisboa, que mandou recolher as letras de imprensa (Lajolo e Zilberman 2011, p. 195-196; Molina 2015, parte I).
A cultura impressa da colônia vinha de Portugal: a Gazeta de Lisboa, a Impressão Régia de Lisboa, a oficina do Arco do Cego. Os prelos que vieram com a corte, comprados na Inglaterra, estavam destinados à Secretaria dos Negócios Estrangeiros e da Guerra.

Primeira página da Gazeta do Rio de Janeiro, impressa na Impressão Régia em 1808Imprensa Régia, 1808 · Wikimedia Commons (origem: Biblioteca Nacional) · domínio público
O que aconteceu
O decreto de 13 de maio de 1808, aniversário do príncipe, mandou que a casa onde os prelos se instalaram servisse “inteiramente de Impressão Regia”. Ali se imprimiriam “exclusivamente” a legislação e os papéis diplomáticos, e também “todas, e quaesquer outras obras”.

O decreto de 13 de maio de 1808 que cria a Impressão Régia no Rio de JaneiroDom João VI/Impressão Régia, 1808 · Wikimedia Commons · domínio público
A administração ficou com a mesma secretaria, chefiada por d. Rodrigo de Sousa Coutinho, encarregado de dar à oficina “a maior extensão”. No mesmo dia, outros decretos criaram o Arsenal Real da Marinha e a Real Fábrica de Pólvora, segundo o Arquivo Nacional.
Segundo a Biblioteca Nacional, a criação veio acompanhada de censura: toda publicação passava por uma junta. Em 10 de setembro de 1808 saiu da oficina o primeiro número da Gazeta do Rio de Janeiro, redigida por frei Tibúrcio José da Rocha.
“sou servido, que a casa, onde elles se estabeleceram, sirva inteiramente de Impressão Regia, onde se imprimam exclusivamente toda a legislação e papeis diplomaticos, que emanarem de qualquer Repartição do meu real serviço; e se possam imprimir todas, e quaesquer outras obras”
O que veio depois
A Impressão Régia foi a única tipografia do Rio até 1821. Lajolo e Zilberman contam 1.173 títulos de 1808 a 1822, dos quais 532 em 1821 e 1822 (p. 197-198). Em 1811 foi autorizada uma tipografia na Bahia, e em 8 de março de 1817 os revolucionários criaram a primeira oficina do Recife.
Em 2 de março de 1821, um decreto aboliu a censura prévia e quebrou o monopólio da Impressão Régia. A instituição é a origem da atual Imprensa Nacional. O Dia da Imprensa, antes 10 de setembro, passou a 1º de junho pela Lei 9.831, de 1999, data do Correio Braziliense, impresso em Londres.
Relato escrito sobre as fontes listadas abaixo, conferidas em 28/10/2026.
Referências
Arquivo Nacional, MAPA, cronologia do período joanino
Documentos oficiais
- Decreto de 13 de maio de 1808 (publicação original) · Câmara dos Deputados, Legislação Informatizada
- Cronologia de 1808 · Arquivo Nacional (MAPA)
- Cronologia do período joanino (1808 a 1822) · Arquivo Nacional (MAPA)
Para ler mais
- O Dia Nacional da Imprensa · Fundação Biblioteca Nacional
- O enraizamento de interesses dos antigos colonizadores · MultiRio (Prefeitura do Rio)
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