Grupo de pacientes deixando as obras de construção da Colônia dos Alienados de Barbacena, em abril de 1921; Fundo Afonso Pena Júniorautor desconhecido, 1921 · Arquivo Nacional, Fundo Afonso Pena Júnior (BR RJANRIO OO.0.FOT.28/2), via Wikimedia Commons · Public domain
Em 4 de julho de 1979, o psiquiatra italiano Franco Basaglia visitou o Hospital Colônia de Barbacena, em Minas Gerais, e o comparou a um campo de concentração nazista. O maior hospício do país, aberto em 1903, chegou a ter 3.500 internos ao mesmo tempo; entre 1942 e 2020, 40 mil pessoas passaram por ele e cerca de 24 mil morreram, segundo a fundação estadual que o administra. A denúncia abriu o caminho da reforma psiquiátrica, e os últimos 14 pacientes saíram em maio de 2026.
- 3.500internos ao mesmo tempo, no auge (Fhemig)
- 24 milmortes entre 1942 e 2020, de 40 mil internados (Fhemig)
- 60 milmortes até 1980, na apuração de Daniela Arbex
- 115 anosde hospital-colônia, de 1911 a 2026
- 14últimos pacientes transferidos em 25/5/2026
O que havia antes
O hospital foi inaugurado em 1903, a 165 km de Belo Horizonte, e em 1911 tornou-se “hospital colônia”, com o trabalho como principal forma de terapia; em 1977 passou à Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais, a Fhemig (Fhemig, Centro Hospitalar Psiquiátrico de Barbacena).
Em determinado momento, o lugar “chegou a reunir 3.500 pacientes simultaneamente”. A fundação descreve-o como símbolo de um modelo manicomial marcado por superlotação, abandono e violações de direitos (Fhemig, 26/05/2026).

Visita ao Museu da Loucura, no antigo Hospital Colônia de Barbacena, em agosto de 2012Circuito Fora do Eixo, 2012 · Wikimedia Commons · CC BY-SA 2.0
O que aconteceu
Em 4 de julho de 1979, Franco Basaglia, o psiquiatra que fechara o manicômio de Trieste, visitou o Colônia e definiu o que viu como um “campo de concentração nazista”, expressão repetida pela imprensa; voltou a Minas com Robert Castel para o III Congresso Mineiro de Psiquiatria, onde estreou o filme Em nome da razão, de Helvécio Ratton (Outra Saúde, 2024; Fhemig).
As reportagens de Hiram Firmino no Estado de Minas, reunidas em 1982 no livro Nos porões da loucura, e o filme mostraram os pavilhões superlotados; as denúncias chocaram a opinião pública e levaram as autoridades a reestruturar a instituição (Outra Saúde; Fhemig). O número de mortos mais citado, “pelo menos 60 mil pacientes até 1980”, é da apuração jornalística de Daniela Arbex, em Holocausto brasileiro (2013); a Fhemig conta cerca de 24 mil mortes entre 1942 e 2020.
“É vedada a internação de pacientes portadores de transtornos mentais em instituições com características asilares.”
O que veio depois
A Lei 10.216, de 6 de abril de 2001, redirecionou o modelo assistencial em saúde mental e vedou “a internação de pacientes portadores de transtornos mentais em instituições com características asilares” (art. 4º, § 3º).
No torreão do antigo hospital, construído em 1922, a Fhemig e a prefeitura abriram em 16 de agosto de 1996 o Museu da Loucura. Em 25 de maio de 2026, o governo de Minas transferiu os últimos 14 pacientes remanescentes do período manicomial para um lar terapêutico no município e deu por encerrada a história de 115 anos do hospital-colônia (Fhemig, 26/05/2026).

O psiquiatra italiano Franco Basaglia em 1979, o ano da visita a BarbacenaHarald Bischoff, 1979 · Wikimedia Commons · CC BY-SA 3.0
Relato escrito sobre as fontes listadas abaixo, conferidas em 29/10/2026.
Referências
Fhemig, Governo de Minas Gerais (26/05/2026)
Documentos oficiais
- Governo de Minas celebra o fim da história de 115 anos do “hospital-colônia” de Barbacena (26/05/2026) · Fhemig
- Centro Hospitalar Psiquiátrico de Barbacena · Fhemig
- Lei nº 10.216, de 6 de abril de 2001 · Presidência da República
- Museu da Loucura completa 25 anos · Fhemig
Para ler mais
- Barbacena: como tudo mudou, após Basaglia (Outra Saúde, 05/07/2024) · Outras Palavras
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