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República

República / marcos / a ditadura militar

A ditadura militar (1964–1985) · saúde e educação

O Hospital Colônia de Barbacena

4 de julho de 1979 · governo de João Figueiredo

Grupo de pacientes deixando as obras de construção da Colônia dos Alienados de Barbacena, em abril de 1921; Fundo Afonso Pena Júniorautor desconhecido, 1921 · Arquivo Nacional, Fundo Afonso Pena Júnior (BR RJANRIO OO.0.FOT.28/2), via Wikimedia Commons · Public domain

Em 4 de julho de 1979, o psiquiatra italiano Franco Basaglia visitou o Hospital Colônia de Barbacena, em Minas Gerais, e o comparou a um campo de concentração nazista. O maior hospício do país, aberto em 1903, chegou a ter 3.500 internos ao mesmo tempo; entre 1942 e 2020, 40 mil pessoas passaram por ele e cerca de 24 mil morreram, segundo a fundação estadual que o administra. A denúncia abriu o caminho da reforma psiquiátrica, e os últimos 14 pacientes saíram em maio de 2026.

O que havia antes

O hospital foi inaugurado em 1903, a 165 km de Belo Horizonte, e em 1911 tornou-se “hospital colônia”, com o trabalho como principal forma de terapia; em 1977 passou à Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais, a Fhemig (Fhemig, Centro Hospitalar Psiquiátrico de Barbacena).

Em determinado momento, o lugar “chegou a reunir 3.500 pacientes simultaneamente”. A fundação descreve-o como símbolo de um modelo manicomial marcado por superlotação, abandono e violações de direitos (Fhemig, 26/05/2026).

Visita ao Museu da Loucura, no antigo Hospital Colônia de Barbacena, em agosto de 2012

Visita ao Museu da Loucura, no antigo Hospital Colônia de Barbacena, em agosto de 2012Circuito Fora do Eixo, 2012 · Wikimedia Commons · CC BY-SA 2.0

O que aconteceu

Em 4 de julho de 1979, Franco Basaglia, o psiquiatra que fechara o manicômio de Trieste, visitou o Colônia e definiu o que viu como um “campo de concentração nazista”, expressão repetida pela imprensa; voltou a Minas com Robert Castel para o III Congresso Mineiro de Psiquiatria, onde estreou o filme Em nome da razão, de Helvécio Ratton (Outra Saúde, 2024; Fhemig).

As reportagens de Hiram Firmino no Estado de Minas, reunidas em 1982 no livro Nos porões da loucura, e o filme mostraram os pavilhões superlotados; as denúncias chocaram a opinião pública e levaram as autoridades a reestruturar a instituição (Outra Saúde; Fhemig). O número de mortos mais citado, “pelo menos 60 mil pacientes até 1980”, é da apuração jornalística de Daniela Arbex, em Holocausto brasileiro (2013); a Fhemig conta cerca de 24 mil mortes entre 1942 e 2020.

“É vedada a internação de pacientes portadores de transtornos mentais em instituições com características asilares.”

Lei nº 10.216, art. 4º, § 3ºLei nº 10.216, de 6 de abril de 2001, 06/04/2001a fonte

O que veio depois

A Lei 10.216, de 6 de abril de 2001, redirecionou o modelo assistencial em saúde mental e vedou “a internação de pacientes portadores de transtornos mentais em instituições com características asilares” (art. 4º, § 3º).

No torreão do antigo hospital, construído em 1922, a Fhemig e a prefeitura abriram em 16 de agosto de 1996 o Museu da Loucura. Em 25 de maio de 2026, o governo de Minas transferiu os últimos 14 pacientes remanescentes do período manicomial para um lar terapêutico no município e deu por encerrada a história de 115 anos do hospital-colônia (Fhemig, 26/05/2026).

O psiquiatra italiano Franco Basaglia em 1979, o ano da visita a Barbacena

O psiquiatra italiano Franco Basaglia em 1979, o ano da visita a BarbacenaHarald Bischoff, 1979 · Wikimedia Commons · CC BY-SA 3.0

Relato escrito sobre as fontes listadas abaixo, conferidas em 29/10/2026.

Referências

Fhemig, Governo de Minas Gerais (26/05/2026)

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