“Leitura da sentença dos inconfidentes” (Museu Histórico Nacional): a sentença de 18 de abril de 1792, que condenou Tiradentes à forcaautor desconhecido · Wikimedia Commons (origem: Brasiliana Iconográfica) · domínio público
Em 21 de abril de 1792, o alferes Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, foi enforcado no Rio de Janeiro. Era o único dos onze condenados à morte da Conjuração Mineira cuja pena não foi comutada. Ignorado no Império, virou herói oficial da República.
- 34pessoas acusadas na devassa
- 11condenados à morte
- 10penas comutadas em degredo na África
- 5 × 15menções a Tiradentes no Senado do Império (c. 70 anos) e na Constituinte de 1890-1891 (3 meses)
O que havia antes
No fim do século XVIII, a mineração declinava e Minas Gerais não alcançava as cotas anuais de ouro devidas a Lisboa. A cobrança do atrasado, a derrama, era esperada. Nesse contexto, membros da elite de Vila Rica e militares conspiraram por uma república em Minas. Tiradentes, alferes, era o propagandista mais ativo.
Em 15 de março de 1789, o conjurado Joaquim Silvério dos Reis denunciou o movimento ao governador, o visconde de Barbacena, segundo a MultiRio, em troca do perdão de suas dívidas. Barbacena suspendeu a derrama e mandou prender os acusados. Tiradentes foi o primeiro preso, no Rio, em 10 de maio de 1789.

Aurélio de Figueiredo, “O martírio de Tiradentes” (1893): Tiradentes a caminho da forcaAurélio de Figueiredo, 1893 · Wikimedia Commons (origem: Museu Histórico Nacional) · domínio público
O que aconteceu
O processo, a devassa, acusou 34 pessoas, cinco delas religiosas, e durou quase dois anos no Rio. Três réus morreram presos, entre eles o poeta Cláudio Manuel da Costa. Nos depoimentos, os acusados jogaram a maior culpa em Tiradentes, que assumiu a responsabilidade.

A sentença contra os réus da Conjuração Mineira, nos Autos da Devassa (18/04/1792)autor desconhecido · Wikimedia Commons (origem: Arquivo Nacional) · domínio público
Onze réus foram condenados à morte; dez tiveram a pena trocada por degredo na África. Só Tiradentes teve a pena mantida. Foi enforcado em 21 de abril de 1792. O corpo foi esquartejado e exposto no caminho de Minas, e a cabeça, num poste em Vila Rica. A sentença declarou infames ele e seus descendentes e mandou demolir e salgar sua casa.
“a sentença condenatória de Joaquim José da Silva Xavier não é labéu que lhe infame a memória, pois é reconhecida e proclamada oficialmente pelos seus concidadãos, como o mais alto título de glorificação do nosso maior compatriota de todos os tempos.”
O que veio depois
No Império, a figura quase desapareceu: a sentença fora assinada sob d. Maria I, avó de d. Pedro II. Segundo o Arquivo do Senado, os senadores vitalícios fizeram só cinco referências a Tiradentes em quase 70 anos; os constituintes de 1890-1891 fizeram 15 em três meses.
A República o adotou como herói. Um decreto de 1890 fez do 21 de abril feriado nacional. Tiradentes virou patrono das polícias em 1946, patrono cívico da nação em 1965 (Lei 4.897) e herói da pátria em 1989. Não há descrição física dele em documento da época; os retratos são imaginados. José Murilo de Carvalho vê na escolha a busca de um herói para um regime de pouca base popular.

Estátua de Tiradentes diante do Palácio Tiradentes, no Rio, onde ficava a Cadeia Velha em que esteve presoHalley Pacheco de Oliveira, 2010 · Wikimedia Commons · CC BY-SA 3.0
Relato escrito sobre as fontes listadas abaixo, conferidas em 28/10/2026.
Referências
Arquivo Nacional, MAPA, cronologia 1700-1807 (dá abril de 1792)
Documentos oficiais
- Cronologia (1700 a 1807) · Arquivo Nacional (MAPA)
- Lei nº 4.897, de 9 de dezembro de 1965 · Presidência da República (Planalto)
Para ler mais
- Conjuração Mineira: a reação da Coroa · MultiRio (Prefeitura do Rio)
- Em busca de apoio popular, República fez de Tiradentes herói nacional · Agência Senado (Arquivo S)
- 21 de abril de 2022: 230 anos da execução de Tiradentes · Rádio Senado
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