Rugendas, a igreja e o largo da Piedade, em Salvador, onde os quatro condenados da Conjuração foram enforcados em 8/11/1799Johann Moritz Rugendas · Wikimedia Commons · domínio público
Em agosto de 1798, boletins manuscritos pregados nas paredes de Salvador anunciaram uma “República Bahiense”, com igualdade e fim da escravidão. A devassa indiciou mais de trinta pessoas. Quatro homens negros, dois soldados e dois alfaiates, foram enforcados e esquartejados em 1799.
- 699envolvidos segundo os boletins (MultiRio)
- 49presos
- 34réus indiciados na devassa
- 4executados
O que havia antes
Salvador perdera a sede do governo-geral para o Rio em 1761. A agricultura cresceu a partir de 1770, mas, segundo a MultiRio, o ganho ficou com senhores de engenho e grandes comerciantes. Entre 1797 e 1798 houve saques a armazéns, e no início de 1798 a forca da cidade foi incendiada.
As ideias da Revolução Francesa circulavam. Em 1796, o francês Larcher discutia os iluministas em serões com letrados baianos, como Cipriano Barata e o tenente Hermógenes de Aguilar Pantoja. Por manuscritos e conversas de rua, as ideias chegaram a soldados, alfaiates, libertos e escravizados.

Monumento aos Alfaiates na Praça da Piedade, em SalvadorAlex@Eddi (Diskussion), 2013 · Wikimedia Commons · CC BY-SA 3.0
O que aconteceu
Em 12 de agosto de 1798, Salvador amanheceu com manifestos manuscritos nas paredes de casas e igrejas. Um deles, o “Aviso ao Clero e ao Povo Bahiense”, trazia o programa: igualdade perante a lei, república, abolição da escravidão, liberdade de comércio, aumento do soldo e protesto contra os tributos.
O governador d. Fernando José de Portugal mandou investigar. A suspeita recaiu sobre o soldado Luís Gonzaga das Virgens, em cuja casa foram achados papéis. Houve delações, prisões e torturas. Segundo a MultiRio, os boletins falavam em 699 envolvidos, mas só 49 foram presos, a maioria alfaiates, sapateiros, soldados e escravizados.
A devassa indiciou 34 réus. Por ordem de d. Maria I, a punição foi exemplar. Os alfaiates João de Deus do Nascimento e Manuel Faustino dos Santos e os soldados Lucas Dantas de Amorim Torres e Luís Gonzaga das Virgens foram enforcados e esquartejados em Salvador, em 1799.
“Animai-vos, Povo Bahiense, que está por chegar o tempo feliz da nossa liberdade: o tempo em que todos seremos iguais”
O que veio depois
Os outros condenados ficaram presos ou foram degredados. Os membros da loja Cavaleiros da Luz que foram presos, como Cipriano Barata, receberam penas brandas, e os delatores foram premiados. A MultiRio observa que todos os quatro executados eram negros.
O movimento ganhou os nomes de Conjuração dos Alfaiates e Revolta dos Búzios. Em 2009, a Câmara aprovou o projeto 5.819/09, do deputado Luiz Alberto, para inscrever os quatro no Livro dos Heróis da Pátria. A Lei 12.391, de 4 de março de 2011, fez a inscrição.

Salvador vista do mar, gravura de 1826Print made by: George Scharf After: Edmund Patten Published by: Edmund Patten Printed by: Charles Joseph Hullmandel, 1826 · Wikimedia Commons (origem: British Museum) · domínio público
Relato escrito sobre as fontes listadas abaixo, conferidas em 28/10/2026.
Referências
Câmara dos Deputados, notícia sobre a inscrição no Livro dos Heróis da Pátria
Documentos oficiais
- Lei nº 12.391, de 4 de março de 2011 · Presidência da República (Planalto)
Para ler mais
- Câmara inclui participantes da Conjuração Baiana entre heróis da pátria · Agência Câmara
- Conjuração Baiana · MultiRio
- A Conjuração Baiana e as “infames ideias francesas” · MultiRio
- Conjuração Baiana: a repressão da Coroa · MultiRio
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