Salvador e seu porto vistos do mar, gravura de George Scharf (1826): na Bahia d. João assinou a carta régia de 1808Print made by: George Scharf After: Edmund Patten Published by: Edmund Patten Printed by: Charles Joseph Hullmandel, 1826 · Wikimedia Commons (origem: British Museum) · domínio público
Em 28 de janeiro de 1808, seis dias depois de chegar a Salvador, o príncipe regente d. João abriu as alfândegas do Brasil aos navios das nações em paz com Portugal. A carta régia, dada como provisória, encerrou na prática o monopólio comercial da metrópole.
- 6 diasentre a chegada a Salvador e a carta régia
- 24%direito de entrada sobre as mercadorias (20 + 4 de donativo)
- 2×direitos sobre vinhos, aguardentes e azeites
- 54 diasde viagem de Lisboa a Salvador (MultiRio)
O que havia antes
Em 29 de novembro de 1807, pressionada por Napoleão, a corte portuguesa zarpou de Lisboa para a América. Uma tempestade perto da Madeira dividiu a esquadra, e o navio do príncipe aportou em Salvador em 22 de janeiro de 1808, depois de 54 dias de viagem, segundo a MultiRio.
Com Portugal ocupado, o comércio da colônia estava parado. O governador da Bahia, conde da Ponte, levou ao príncipe uma representação sobre o “interrompido e suspenso” comércio da capitania, com prejuízo para os vassalos e a Fazenda Real. É a essa representação que a carta régia responde.

Simplício Rodrigues de Sá, retrato de d. João VI (c. 1820)Simplício Rodrigues de Sá · Wikimedia Commons (origem: Google Art Project) · domínio público
O que aconteceu
A carta régia, “escripta na Bahia aos 28 de Janeiro de 1808” e dirigida ao conde da Ponte, ordenou “interina e provisoriamente” duas coisas. Primeiro, que as alfândegas admitissem mercadorias trazidas em navios estrangeiros de potências em paz com a Coroa ou em navios portugueses.

A carta régia de 28 de janeiro de 1808, assinada pelo príncipe regente na Bahia, que abre os portos do Brasil às nações amigasPríncipe regente Dom João VI, Conde da Ponte, 1808 · Wikimedia Commons (origem: Arquivo Nacional) · domínio público
Na entrada, as mercadorias pagariam 24%: vinte de direitos e quatro de donativo, e o dobro para vinhos, aguardentes e azeites. Segundo, que portugueses e estrangeiros pudessem exportar os produtos coloniais, exceto o pau-brasil e outros gêneros sob monopólio. Ficaram suspensas as leis que proibiam o comércio entre vassalos e estrangeiros.
O catálogo da Câmara atribui a decisão à influência de José da Silva Lisboa. A MultiRio registra que o príncipe foi festejado em Salvador, que queria a corte de volta, e que Hipólito José da Costa, no Correio Braziliense, achou exagerados os festejos.
“Que sejam admissiveis nas Alfandegas do Brazil todos e quaesquer generos, fazendas e mercadorias transportados, ou em navios estrangeiros das Potencias, que se conservam em paz e harmonia com a minha Real côroa, ou em navios dos meus vassallos”
O que veio depois
Os primeiros beneficiados, segundo a MultiRio, foram comerciantes dos Estados Unidos; com os tratados de 1810, os ingleses ficaram com a maior vantagem. Em 19 de fevereiro de 1810, Portugal e Inglaterra assinaram o Tratado de Comércio e Navegação.
A abertura veio junto de outras medidas. Em 1º de abril de 1808, um alvará revogou a proibição de fábricas e manufaturas no Brasil. A corte seguiu para o Rio, onde desembarcou em 7 de março. Para a MultiRio, a medida, tomada pela necessidade de sobrevivência da própria corte, “gerou, de fato, o fim do monopólio comercial”.

Domenico Failutti, retrato de José da Silva Lisboa, visconde de Cairu (1925), defensor da aberturaDomenico Failutti, 1925 · Wikimedia Commons (origem: Museu Paulista da USP) · domínio público
Relato escrito sobre as fontes listadas abaixo, conferidas em 28/10/2026.
Referências
Arquivo Nacional, cronologia de 1808
Documentos oficiais
- Carta Régia de 28 de janeiro de 1808 (publicação original) · Câmara dos Deputados, Legislação Informatizada
- Carta Régia de 28/01/1808 (ficha da norma) · Senado Federal, Legislação Federal
- Cronologia de 1808 · Arquivo Nacional (MAPA)
- Cronologia do período joanino (1808 a 1822) · Arquivo Nacional (MAPA)
Para ler mais
- A Abertura dos Portos e o fim do monopólio · MultiRio (Prefeitura do Rio)
- A vinda da família real: o embarque e a viagem da corte · MultiRio (Prefeitura do Rio)
- Memória da exposição “200 anos de Independência — Bicentenário da Aclamação de D. João VI” (PDF) · Câmara dos Deputados
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