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A República de 1946 (1945–1964) · política e instituições

A deposição de Vargas

29 de outubro de 1945 · governo de Getúlio Vargas

Posse de José Linhares, presidente do Supremo, na Presidência da República depois da deposição de Vargas, 30 de outubro de 1945Autor não identificado, 1945 · Arquivo Nacional, fundo Agência Nacional (via Wikimedia Commons) · domínio público

Em 29 de outubro de 1945, depois de Vargas nomear o irmão chefe de polícia do Distrito Federal, os chefes militares, com Góis Monteiro à frente, cercaram o Palácio Guanabara e o obrigaram a deixar o poder. O presidente do Supremo, José Linhares, assumiu. Terminava o Estado Novo, depois de quinze anos de Vargas no governo.

O que havia antes

A participação na guerra ao lado das democracias abriu uma contradição no Estado Novo. Em outubro de 1943, o Manifesto dos Mineiros pediu democracia. Em fevereiro de 1945, a entrevista de José Américo ao Correio da Manhã rompeu a censura. Em 28 de fevereiro, a Lei Constitucional nº 9 deu prazo para marcar eleições, que ficaram para 2 de dezembro.

Em abril, uma anistia libertou presos políticos, entre eles Luís Carlos Prestes, e surgiram os partidos: PSD e PTB, ligados a Vargas, e a UDN, de oposição. O PCB foi legalizado. Dutra concorria pelo PSD; Eduardo Gomes, pela UDN. A fraude do Plano Cohen foi denunciada por Góis Monteiro em março.

Em julho, ganhou corpo o queremismo, movimento sindical pela permanência de Vargas, que não o desautorizou, segundo o CPDOC. Em 3 de outubro, um comício no largo da Carioca reuniu 150 mil pessoas, segundo a Assembleia paulista. Em 10 de outubro, o Decreto-Lei nº 8.063 antecipou as eleições estaduais para 2 de dezembro, o que a oposição leu como manobra.

Comício queremista a favor de Getúlio Vargas no fim do Estado Novo, agosto de 1945

Comício queremista a favor de Getúlio Vargas no fim do Estado Novo, agosto de 1945Autor não identificado, 1945 · Arquivo Nacional, fundo Correio da Manhã (via Wikimedia Commons) · domínio público

O que aconteceu

Na noite de 28 de outubro, o chefe de polícia João Alberto avisou o general Cordeiro de Farias que deixaria o cargo para ser prefeito do Distrito Federal, e que o substituto seria Benjamin Vargas, irmão do presidente. Cordeiro avisou Góis Monteiro, ministro da Guerra, e os conspiradores, segundo a Assembleia paulista.

Em 29 de outubro, Góis Monteiro mandou a Vargas seu pedido de demissão e foi proclamado chefe do movimento em nome das três Armas. Às 15h, Benjamin Vargas tomou posse na polícia. Tanques da Vila Militar cercaram o Palácio Guanabara. Cordeiro de Farias foi ao palácio com o ministro da Justiça, Agamenon Magalhães, e pediu a renúncia.

Segundo a mesma fonte, Vargas respondeu que não seria “elemento de perturbação” e que desejava retirar-se para o Rio Grande do Sul. Os militares, por sugestão de Dutra, entregaram o governo ao presidente do Supremo Tribunal Federal, José Linhares, empossado às duas da madrugada no Ministério da Guerra. O CPDOC descreve o episódio como golpe militar liderado por Góis Monteiro.

“A História e o tempo falarão por mim, discriminando responsabilidades.”

Getúlio VargasProclamação “Ao povo brasileiro”, reproduzida pela Assembleia Legislativa de São Paulo, 30/10/1945a fonte

O que veio depois

Em 30 de outubro, Vargas divulgou uma proclamação em que disse ter renunciado por vontade própria. Foi para São Borja. Linhares governou até 31 de janeiro de 1946. Na eleição de 2 de dezembro de 1945, Vargas apoiou Dutra com a diretiva conhecida como “Ele disse”, e Dutra venceu.

Na mesma eleição, Vargas se elegeu senador por dois estados e deputado por sete, segundo o CPDOC. Foi pouco às sessões e não assinou a Constituição de 1946. Voltou à Presidência eleito, em 31 de janeiro de 1951.

O general Góis Monteiro, ministro da Guerra que comandou a deposição

O general Góis Monteiro, ministro da Guerra que comandou a deposiçãoAutor não identificado, 1937 · Wikimedia Commons · domínio público

Relato escrito sobre as fontes listadas abaixo, conferidas em 28/10/2026.

Na República

Referências

FGV CPDOC, verbete “Getúlio Vargas”

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