Leandro Martins: o Exército imperial ataca as forças da Confederação no Recife, 1824Leandro Martins · Wikimedia Commons · domínio público
Em 2 de julho de 1824, no Recife, Manuel de Carvalho Paes de Andrade proclamou a Confederação do Equador, república federativa que reuniria as províncias do Norte contra o governo do Rio. Teve adesões na Paraíba, no Rio Grande do Norte e no Ceará e caiu em novembro. Frei Caneca foi fuzilado em 1825.
- < 5 mesesde duração (2/7 a 29/11/1824)
- 4províncias reunidas, segundo o Arquivo Nacional
- 6projetos de lei propostos pela comissão do Senado em 2025
O que havia antes
Pernambuco aderiu à independência esperando uma Constituição liberal e autonomia para as províncias. Em outubro de 1823, a escolha dos presidentes provinciais passou a ser do imperador. Em novembro, d. Pedro I dissolveu a Constituinte, e em março de 1824 outorgou a Constituição com o Poder Moderador.
As câmaras de Recife e Olinda negaram aprovação aos atos do imperador, por receio do “antigo e sempre detestável despotismo”. D. Pedro nomeou presidente Francisco Pais Barreto no lugar de Manuel de Carvalho, escolhido pelas câmaras locais. Frei Caneca atacava a outorga no jornal Typhis Pernambucano.

Antônio Parreiras, estudo para Frei Caneca, o ideólogo da Confederação, fuzilado em 1825Antônio Parreiras · Wikimedia Commons · domínio público
O que aconteceu
Em 2 de julho de 1824, Manuel de Carvalho, que estivera exilado nos Estados Unidos depois de 1817, proclamou a Confederação do Equador. Segundo o Arquivo Nacional, ela reuniria Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Ceará, com apoio do Piauí e do Pará. Assumiu o poder na Paraíba em 14 de julho e chegou ao Rio Grande do Norte em 3 de agosto.

Panfletos da Confederação do Equador (1824)Jhandoffer, 1824 · Wikimedia Commons · CC BY-SA 4.0
Uma assembleia elaborou projeto de constituição que priorizava o Legislativo e suspendeu o tráfico de escravizados no porto do Recife. A medida e a participação popular afastaram senhores de engenho, segundo a MultiRio e o historiador George Cabral, ouvido pelo Senado.
“salta aos olhos a negra perfídia, são patentes os (...) perjúrios do Imperador”
O que veio depois
Em 2 de agosto, o governo mandou tropas por mar e terra; dominaram Recife e Olinda em 17 de setembro. A Confederação terminou em 29 de novembro, com a capitulação no Ceará. As instruções imperiais mandavam não admitir capitulação, segundo a MultiRio. Os líderes foram julgados por tribunais militares.
Frei Caneca, condenado à forca, foi fuzilado em 13 de janeiro de 1825 no forte das Cinco Pontas, porque os carrascos se recusaram a enforcá-lo. O padre Mororó também foi executado; Manuel de Carvalho exilou-se. Pernambuco perdeu a comarca do rio São Francisco. Em 2025, uma comissão do Senado propôs seis projetos sobre a memória do movimento.

Projeto de bandeira da Confederação do Equador (1824)autor desconhecido, 1824 · Wikimedia Commons · domínio público

Comemoração do centenário da Confederação do Equador, Recife, 2/7/1924autor desconhecido, 1924 · Wikimedia Commons · domínio público
Relato escrito sobre as fontes listadas abaixo, conferidas em 28/10/2026.
Referências
Arquivo Nacional, MAPA, cronologia do período imperial
Documentos oficiais
- Cronologia do período imperial (1822 a 1889) · Arquivo Nacional (MAPA)
Para ler mais
- Confederação do Equador: há 200 anos, Pernambuco criou “Brasil alternativo” ao Império de Pedro I · Agência Senado
- Confederação do Equador: comissão propõe projetos sobre o movimento de 1824 · Agência Senado
- 200 anos da Confederação do Equador · Senado Federal
- O republicano Frei Caneca · Agência Senado
- A Confederação do Equador: o contexto da deflagração do movimento · MultiRio (Prefeitura do Rio)
- A Confederação do Equador: o movimento · MultiRio (Prefeitura do Rio)
- A repressão à Confederação do Equador · MultiRio (Prefeitura do Rio)
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