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República

República / marcos / o império

O Império (1822–1889) · política e instituições

A Constituição do Império

25 de março de 1824

Simplício Rodrigues de Sá, retrato de d. Pedro I (c. 1830), que outorgou a Constituição de 1824Simplício Rodrigues de Sá · Wikimedia Commons · domínio público

Em 25 de março de 1824, d. Pedro I outorgou a primeira Constituição do Brasil, escrita por um Conselho de Estado depois de dissolver à força a Constituinte. O texto criou quatro poderes, um deles, o Moderador, privativo do imperador, e vigorou até 1889.

O que havia antes

A Assembleia Constituinte foi instalada em 3 de maio de 1823, na Cadeia Velha, no Rio. D. Pedro pediu uma Constituição “digna do Brasil e de mim”, registra o Arquivo do Senado. Os deputados debateram por dias quem seria cidadão e quem votaria, incluindo os libertos.

Em 12 de novembro de 1823, d. Pedro I mandou tropas cercarem o prédio e dissolveu a Assembleia por decreto. O episódio ficou conhecido como Noite da Agonia. No dia seguinte, criou um Conselho de Estado para escrever a Constituição.

Primeira página da Constituição do Império (1824)

Primeira página da Constituição do Império (1824)Assembleia Nacional Constituinte de 1823/1824, 1824 · Wikimedia Commons (origem: Arquivo Nacional) · domínio público

O que aconteceu

O projeto foi enviado às câmaras municipais em dezembro. Em 25 de março de 1824, o imperador o outorgou por carta de lei, sem votação de assembleia. No dia 26, um decreto mandou eleger deputados e senadores.

Capa do exemplar original da Constituição Política do Império do Brasil (1824)
O documento

Capa do exemplar original da Constituição Política do Império do Brasil (1824)Assembleia Nacional Constituinte de 1823/1824, 1824 · Wikimedia Commons (origem: Arquivo Nacional) · domínio público

O artigo 10 criou quatro poderes: Legislativo, Moderador, Executivo e Judicial. O Moderador, “a chave de toda a organisação Politica”, era delegado privativamente ao imperador, cuja pessoa era “inviolavel, e Sagrada”. O catolicismo seguiu religião oficial; os outros cultos só em casa. O Senado era vitalício.

O voto era censitário. Votava nas assembleias paroquiais quem tivesse renda líquida anual de 100 mil réis; para ser eleitor, 200 mil réis. Os libertos não podiam ser eleitores. O imperador era menor até os 18 anos completos.

“O Poder Moderador é a chave de toda a organisação Politica, e é delegado privativamente ao Imperador, como Chefe Supremo da Nação, e seu Primeiro Representante”

Conselho de Estado; outorga de d. Pedro IConstituição Política do Império do Brasil, art. 98, 25/03/1824a fonte

O que veio depois

Em junho de 1824, as câmaras de Recife e Olinda recusaram jurar a Constituição, e em 2 de julho foi proclamada a Confederação do Equador, esmagada até novembro. Pernambuco só jurou o texto em 1º de dezembro de 1824.

O Parlamento só se reuniu em 1826. Em 1834, o Ato Adicional criou as assembleias provinciais. A lei de interpretação de 1840 recuou parte da autonomia. A Constituição vigorou até a proclamação da República, em 1889.

A Cadeia Velha, no Rio, onde se reuniu a Constituinte dissolvida por d. Pedro em 1823 (foto de c. 1917-1920)

A Cadeia Velha, no Rio, onde se reuniu a Constituinte dissolvida por d. Pedro em 1823 (foto de c. 1917-1920)Núcleo de digitalização / IMS · Wikimedia Commons (origem: Instituto Moreira Salles) · domínio público

Relato escrito sobre as fontes listadas abaixo, conferidas em 28/10/2026.

Referências

Presidência da República, Constituição de 1824

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