Soldados e manifestantes com faixas pelas reformas de base no Comício da Central do Brasil, 13 de março de 1964Autor não identificado, 1964 · Arquivo Nacional, fundo Correio da Manhã (via Wikimedia Commons) · domínio público
Em 13 de março de 1964, diante de cerca de 300 mil pessoas, em frente à Central do Brasil, no Rio, João Goulart defendeu as reformas de base. No mesmo dia assinou o decreto da Supra que declarava de interesse social, para desapropriação, terras à margem de rodovias, ferrovias e açudes federais. O golpe começou 18 dias depois.
- cerca de 300 milpessoas no comício (Arquivo Nacional)
- 10 kmde faixa ao longo de rodovias e ferrovias federais no decreto
- 5reformas de base citadas pelo Arquivo Nacional
- 18 diasentre o comício e o início do golpe
O que havia antes
Depois da crise de 1961, Goulart assumiu sob o parlamentarismo e recuperou os poderes presidenciais com o plebiscito de 1963. Segundo a Câmara, 1963 foi um ano crítico, e no começo de 1964 a tensão chegou ao máximo. As reformas de base, agrária, urbana, educacional, tributária e eleitoral, encontravam oposição da imprensa, de empresários e de partidos.
A oposição acusava o presidente de desrespeitar a Constituição e de conspirar por um golpe, segundo o Arquivo Nacional. O comício, organizado pelo Comando Geral dos Trabalhadores, devia responder a essas críticas.

João Goulart e Maria Thereza Goulart ao microfone; o acervo liga a foto ao Comício da Central com dúvida e data de 26/03/1964Autor não identificado, 1964 · Arquivo Nacional, fundo Correio da Manhã (via Wikimedia Commons) · domínio público
O que aconteceu
Em 13 de março de 1964, Goulart falou a trabalhadores, camponeses, servidores e estudantes na praça em frente à Central do Brasil, na avenida Presidente Vargas. O Arquivo Nacional estima o público em cerca de 300 mil pessoas. No discurso, o presidente disse que a reforma agrária era “inadiável necessidade” e acusou os adversários de quererem uma democracia “antipovo”.
No mesmo dia, Goulart assinou o Decreto nº 53.700. Ele declarou de interesse social, para desapropriação, as áreas rurais num raio de dez quilômetros dos eixos das rodovias e ferrovias federais e as terras beneficiadas por obras federais de irrigação, drenagem e açudagem, quando inexploradas ou exploradas contra a função social. A execução cabia à Superintendência de Política Agrária, a Supra.
“A reforma agrária não é capricho de um governo ou programa de um partido. É produto da inadiável necessidade de todos os povos do mundo.”
O que veio depois
O discurso foi lido por adversários como “atentatório à democracia”, segundo o Arquivo Nacional. Em 31 de março de 1964, começou o golpe. Na madrugada de 2 de abril, com Goulart no Rio Grande do Sul, o presidente do Senado declarou vaga a Presidência. Começava a ditadura que durou até 1985.
O Arquivo Nacional, que tem sede ao lado da Central do Brasil, guarda documentos escritos e audiovisuais do comício. Em 2013, o Congresso anulou a sessão que declarara vaga a Presidência.

Tanques cercam a área do comício, 13 de março de 1964Autor não identificado, 1964 · Arquivo Nacional, fundo Correio da Manhã (via Wikimedia Commons) · domínio público
Relato escrito sobre as fontes listadas abaixo, conferidas em 28/10/2026.
Na República
Referências
Arquivo Nacional, Memórias Reveladas
Documentos oficiais
- Comício da Central · Arquivo Nacional, Memórias Reveladas
- Decreto nº 53.700, de 13 de março de 1964 (publicação original) · Câmara dos Deputados, Legislação Informatizada
- Constituição dos Estados Unidos do Brasil, de 18 de setembro de 1946 · Presidência da República (Planalto)
Para ler mais
- A Quarta República (1945-1964) · Câmara dos Deputados
- Congresso anula sessão que afastou Jango e abriu caminho para o Golpe de 1964 (21/11/2013) · Agência Senado
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