Frans Post, “Olinda” (c. 1650), detalhe: as ruínas da casa-forte de Duarte Coelho, donatário de Pernambuco, a capitania que prosperouFrans Post · Wikimedia Commons · domínio público
Entre 1534 e 1536, d. João III repartiu a costa do Brasil em capitanias doadas a fidalgos, com governo e direitos hereditários. A primeira doação conhecida é a de Pernambuco a Duarte Coelho, de 10 de março de 1534. Segundo o Arquivo Nacional, a colonização só deu certo em São Vicente e Pernambuco.
- 50 léguasde costa por capitania, na carta de 1532
- 10 léguasraio da jurisdição do capitão e do ouvidor nas ações novas (em Portugal, 5)
- 1/20parte do capitão nos rendimentos do pau-brasil
- 2capitanias em que a colonização teve êxito, segundo o Arquivo Nacional
- 5engenhos em Pernambuco em 1550
O que havia antes
Depois de 1500, Portugal mandou expedições para reconhecer e patrulhar o litoral, sobretudo contra os franceses. Em 1501 arrendou a terra a comerciantes de Lisboa para o comércio do pau-brasil e instalou feitorias. Os ataques estrangeiros continuaram e as feitorias fracassaram, segundo o Arquivo Nacional.
Em março de 1530 partiu a expedição de Martim Afonso de Sousa. A carta régia de 20 de novembro de 1530 deu-lhe jurisdição civil e criminal e o poder de conceder sesmarias. Em setembro de 1532, d. João III escreveu-lhe anunciando que dividiria o Brasil em capitanias de 50 léguas de costa.

Martim Afonso de Sousa, donatário de São Vicente, no Livro de Lisuarte de Abreu (c. 1560)Lisuarte de Abreu · Wikimedia Commons · domínio público
O que aconteceu
A carta de doação de Pernambuco a Duarte Coelho é de 10 de março de 1534. Seguiram-se, no mesmo ano, Bahia (Francisco Pereira Coutinho), Porto Seguro (Pero de Campo Tourinho), Espírito Santo (Vasco Fernandes Coutinho) e Itamaracá (Pero Lopes de Sousa). Outras vieram até 1536, entre elas Maranhão, Ceará e Paraíba do Sul.

Mapa de Luís Teixeira (c. 1574) com a costa dividida em capitanias, da linha de Tordesilhas ao marLuís Teixeira · Wikimedia Commons · domínio público
Dois documentos regiam cada capitania. A carta de doação concedia a terra e o governo; o foral fixava os tributos da Coroa e a parte do capitão. A doação era “de juro e herdade”: os sucessores herdavam. O capitão nomeava ouvidor, julgava no cível e no crime e fundava vilas.
O capitão de Pernambuco recebia, entre outros direitos, metade da dízima do pescado, a redízima das rendas reais e a vigésima parte do pau-brasil. Não podia tomar sesmarias para si nem para a família. A carta permitia que mulheres e bastardos herdassem o governo, contra a Lei Mental portuguesa.
O que veio depois
Segundo o Arquivo Nacional, muitas capitanias não chegaram a ser povoadas, e outras fracassaram por conflitos com indígenas e entre colonos e donatários. Duarte Coelho chegou a Pernambuco em 9 de março de 1535, fundou Igaraçu e povoou Olinda, vila em 1537. Em 1550 a capitania tinha cinco engenhos.
Em dezembro de 1548, a Coroa instalou o governo-geral, com sede na Bahia, que voltara à Coroa. Tomé de Sousa foi nomeado em janeiro de 1549. Duarte Coelho se opôs, em defesa da autonomia da carta de doação. Faoro lê a capitania como instituição de dupla face: lado público revogável, lado patrimonial hereditário (Faoro 1958, cap. IV).

Vistas de Olinda e do Recife, gravura holandesa de c. 1644Anoniem / Anonymous (engraver / etcher), B. Elsevier (publisher), I. Elsevier (publisher) · Wikimedia Commons · domínio público
Relato escrito sobre as fontes listadas abaixo, conferidas em 28/10/2026.
Referências
Arquivo Nacional, MAPA, cronologia 1500-1599
Documentos oficiais
- Período Colonial (1500 a 1599), cronologia · Arquivo Nacional (MAPA)
- Capitães e governadores de capitania (Dicionário da Administração Pública Brasileira, período colonial) · Arquivo Nacional (MAPA)
- Duarte Coelho Pereira (biografia) · Arquivo Nacional (MAPA)
- Cronologia 1500-1599 · Arquivo Nacional (MAPA)
Para ler mais
- Contratos para o corte de pau-brasil (documento comentado) · Arquivo Nacional (História Luso-Brasileira)
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