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República

República / marcos / a colônia

A Colônia (1500–1808) · território

As capitanias hereditárias

1534

Frans Post, “Olinda” (c. 1650), detalhe: as ruínas da casa-forte de Duarte Coelho, donatário de Pernambuco, a capitania que prosperouFrans Post · Wikimedia Commons · domínio público

Entre 1534 e 1536, d. João III repartiu a costa do Brasil em capitanias doadas a fidalgos, com governo e direitos hereditários. A primeira doação conhecida é a de Pernambuco a Duarte Coelho, de 10 de março de 1534. Segundo o Arquivo Nacional, a colonização só deu certo em São Vicente e Pernambuco.

O que havia antes

Depois de 1500, Portugal mandou expedições para reconhecer e patrulhar o litoral, sobretudo contra os franceses. Em 1501 arrendou a terra a comerciantes de Lisboa para o comércio do pau-brasil e instalou feitorias. Os ataques estrangeiros continuaram e as feitorias fracassaram, segundo o Arquivo Nacional.

Em março de 1530 partiu a expedição de Martim Afonso de Sousa. A carta régia de 20 de novembro de 1530 deu-lhe jurisdição civil e criminal e o poder de conceder sesmarias. Em setembro de 1532, d. João III escreveu-lhe anunciando que dividiria o Brasil em capitanias de 50 léguas de costa.

Martim Afonso de Sousa, donatário de São Vicente, no Livro de Lisuarte de Abreu (c. 1560)

Martim Afonso de Sousa, donatário de São Vicente, no Livro de Lisuarte de Abreu (c. 1560)Lisuarte de Abreu · Wikimedia Commons · domínio público

O que aconteceu

A carta de doação de Pernambuco a Duarte Coelho é de 10 de março de 1534. Seguiram-se, no mesmo ano, Bahia (Francisco Pereira Coutinho), Porto Seguro (Pero de Campo Tourinho), Espírito Santo (Vasco Fernandes Coutinho) e Itamaracá (Pero Lopes de Sousa). Outras vieram até 1536, entre elas Maranhão, Ceará e Paraíba do Sul.

Mapa de Luís Teixeira (c. 1574) com a costa dividida em capitanias, da linha de Tordesilhas ao mar
O documento

Mapa de Luís Teixeira (c. 1574) com a costa dividida em capitanias, da linha de Tordesilhas ao marLuís Teixeira · Wikimedia Commons · domínio público

Dois documentos regiam cada capitania. A carta de doação concedia a terra e o governo; o foral fixava os tributos da Coroa e a parte do capitão. A doação era “de juro e herdade”: os sucessores herdavam. O capitão nomeava ouvidor, julgava no cível e no crime e fundava vilas.

O capitão de Pernambuco recebia, entre outros direitos, metade da dízima do pescado, a redízima das rendas reais e a vigésima parte do pau-brasil. Não podia tomar sesmarias para si nem para a família. A carta permitia que mulheres e bastardos herdassem o governo, contra a Lei Mental portuguesa.

O que veio depois

Segundo o Arquivo Nacional, muitas capitanias não chegaram a ser povoadas, e outras fracassaram por conflitos com indígenas e entre colonos e donatários. Duarte Coelho chegou a Pernambuco em 9 de março de 1535, fundou Igaraçu e povoou Olinda, vila em 1537. Em 1550 a capitania tinha cinco engenhos.

Em dezembro de 1548, a Coroa instalou o governo-geral, com sede na Bahia, que voltara à Coroa. Tomé de Sousa foi nomeado em janeiro de 1549. Duarte Coelho se opôs, em defesa da autonomia da carta de doação. Faoro lê a capitania como instituição de dupla face: lado público revogável, lado patrimonial hereditário (Faoro 1958, cap. IV).

Vistas de Olinda e do Recife, gravura holandesa de c. 1644

Vistas de Olinda e do Recife, gravura holandesa de c. 1644Anoniem / Anonymous (engraver / etcher), B. Elsevier (publisher), I. Elsevier (publisher) · Wikimedia Commons · domínio público

Relato escrito sobre as fontes listadas abaixo, conferidas em 28/10/2026.

Referências

Arquivo Nacional, MAPA, cronologia 1500-1599

Documentos oficiais

Para ler mais

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