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A Nova República (desde 1985) · política e instituições

A Câmara autoriza o impeachment de Collor

29 de setembro de 1992 · governo de Fernando Collor

O presidente da Câmara, Ibsen Pinheiro, abre a votação do pedido de impeachment de CollorValter Campanato, 1992 · Wikimedia Commons (envio de: Valter Campanato) · CC BY 3.0 br

Em 29 de setembro de 1992, a Câmara autorizou o Senado a processar Fernando Collor por crime de responsabilidade: 441 votos a 38, com 1 abstenção e 23 ausentes. O voto foi aberto e transmitido. Collor foi afastado em 2 de outubro, e o vice Itamar Franco assumiu.

O que havia antes

Em maio de 1992, Pedro Collor acusou Paulo César Farias, o PC, tesoureiro da campanha de 1989, de ser testa de ferro do irmão presidente. Em 1º de junho, o Congresso instalou uma CPMI, presidida pelo deputado Benito Gama e relatada pelo senador Amir Lando.

Em julho, o motorista Eriberto França confirmou à CPMI depósitos de PC Farias para a secretária do presidente, Ana Acioli. Em 21 de agosto, a comissão confirmou que a reforma da Casa da Dinda, residência de Collor, foi paga pela Brasil Jet. Em 26 de agosto, depois de 85 dias, aprovou por 16 votos a 5 o relatório que incriminava o presidente.

As ruas acompanharam. Segundo o Congresso em Foco, em 16 de agosto houve atos de preto em várias cidades; no dia 26, cerca de 250 mil pessoas passaram pela Avenida Paulista.

Cerca de 100 mil pessoas diante do Congresso aguardam a votação, 29 de setembro de 1992

Cerca de 100 mil pessoas diante do Congresso aguardam a votação, 29 de setembro de 1992Agência Senado from Brasilia, Brazil, 2010 · Wikimedia Commons (origem: 200 anos do Senado Federal) · CC BY 2.0

O que aconteceu

Em 1º de setembro, Barbosa Lima Sobrinho, presidente da ABI, e Marcello Lavenère, presidente da OAB, entregaram ao presidente da Câmara, Ibsen Pinheiro, a denúncia por crime de responsabilidade. A comissão especial teve Gastone Righi na presidência e Nelson Jobim na relatoria; o parecer favorável foi aprovado em 24 de setembro.

A defesa foi ao Supremo. No mandado de segurança 21.564, o STF garantiu a Collor prazo de dez sessões para se defender, mas manteve a decisão de Ibsen Pinheiro de fazer a sessão aberta, com voto nominal e não secreto.

Pela Constituição, a autorização exigia dois terços da Câmara: 336 dos 503 deputados. Segundo o Congresso em Foco, o 336º “sim” foi o de Paulo Romano (PFL-MG), às 18h50. A votação seguiu até 441 a 38. No dia seguinte, Ibsen Pinheiro levou a decisão ao presidente do Senado, Mauro Benevides.

“Meu voto pela dignidade, por aquilo que Minas Gerais representa, é sim.”

Paulo Romano (PFL-MG)Voto no Plenário da Câmara, o 336º “sim”, como reproduzido pelo Congresso em Foco, 29/09/1992a fonte

O que veio depois

O Senado instaurou o processo em 1º de outubro. Em 2 de outubro, Collor foi afastado, e Itamar Franco assumiu provisoriamente. Em 29 de dezembro, no início do julgamento, Collor renunciou por carta lida pelo advogado José Moura Rocha. No dia 30, por 76 votos a 2, o Senado o condenou à inabilitação por oito anos para função pública.

Collor contestou a pena no STF, no MS 21.689, e perdeu. Na ação penal 307, em dezembro de 1994, o Supremo o absolveu da acusação de corrupção passiva, por falta de provas de sua participação. Em 2006, foi eleito senador por Alagoas.

O cientista político Marcos Nobre (Imobilismo em movimento, 2013) data do impeachment a tese de que Collor caiu por falta de apoio no Congresso, origem, para ele, da exigência de supermaiorias para governar.

Retrato oficial de Fernando Collor, 1992

Retrato oficial de Fernando Collor, 1992Ubirajara Dettimar, 1992 · Wikimedia Commons (origem: Agência Brasil / EBC) · CC BY 3.0 br

Relato escrito sobre as fontes listadas abaixo, conferidas em 28/10/2026.

Referências

Câmara dos Deputados, 20 anos do impeachment

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