O presidente da Câmara, Ibsen Pinheiro, abre a votação do pedido de impeachment de CollorValter Campanato, 1992 · Wikimedia Commons (envio de: Valter Campanato) · CC BY 3.0 br
Em 29 de setembro de 1992, a Câmara autorizou o Senado a processar Fernando Collor por crime de responsabilidade: 441 votos a 38, com 1 abstenção e 23 ausentes. O voto foi aberto e transmitido. Collor foi afastado em 2 de outubro, e o vice Itamar Franco assumiu.
- 441 a 38votos pela autorização, com 1 abstenção e 23 ausentes (Câmara)
- 336votos exigidos, dois terços dos 503 deputados (Congresso em Foco)
- 16 a 5aprovação do relatório da CPMI (Câmara)
- 85 diasde trabalho da CPMI (Câmara)
- 10 sessõesde prazo de defesa garantido pelo STF (MS 21.564)
- 76 a 2votação no Senado que inabilitou Collor por oito anos (Câmara)
O que havia antes
Em maio de 1992, Pedro Collor acusou Paulo César Farias, o PC, tesoureiro da campanha de 1989, de ser testa de ferro do irmão presidente. Em 1º de junho, o Congresso instalou uma CPMI, presidida pelo deputado Benito Gama e relatada pelo senador Amir Lando.
Em julho, o motorista Eriberto França confirmou à CPMI depósitos de PC Farias para a secretária do presidente, Ana Acioli. Em 21 de agosto, a comissão confirmou que a reforma da Casa da Dinda, residência de Collor, foi paga pela Brasil Jet. Em 26 de agosto, depois de 85 dias, aprovou por 16 votos a 5 o relatório que incriminava o presidente.
As ruas acompanharam. Segundo o Congresso em Foco, em 16 de agosto houve atos de preto em várias cidades; no dia 26, cerca de 250 mil pessoas passaram pela Avenida Paulista.

Cerca de 100 mil pessoas diante do Congresso aguardam a votação, 29 de setembro de 1992Agência Senado from Brasilia, Brazil, 2010 · Wikimedia Commons (origem: 200 anos do Senado Federal) · CC BY 2.0
O que aconteceu
Em 1º de setembro, Barbosa Lima Sobrinho, presidente da ABI, e Marcello Lavenère, presidente da OAB, entregaram ao presidente da Câmara, Ibsen Pinheiro, a denúncia por crime de responsabilidade. A comissão especial teve Gastone Righi na presidência e Nelson Jobim na relatoria; o parecer favorável foi aprovado em 24 de setembro.
A defesa foi ao Supremo. No mandado de segurança 21.564, o STF garantiu a Collor prazo de dez sessões para se defender, mas manteve a decisão de Ibsen Pinheiro de fazer a sessão aberta, com voto nominal e não secreto.
Pela Constituição, a autorização exigia dois terços da Câmara: 336 dos 503 deputados. Segundo o Congresso em Foco, o 336º “sim” foi o de Paulo Romano (PFL-MG), às 18h50. A votação seguiu até 441 a 38. No dia seguinte, Ibsen Pinheiro levou a decisão ao presidente do Senado, Mauro Benevides.
“Meu voto pela dignidade, por aquilo que Minas Gerais representa, é sim.”
O que veio depois
O Senado instaurou o processo em 1º de outubro. Em 2 de outubro, Collor foi afastado, e Itamar Franco assumiu provisoriamente. Em 29 de dezembro, no início do julgamento, Collor renunciou por carta lida pelo advogado José Moura Rocha. No dia 30, por 76 votos a 2, o Senado o condenou à inabilitação por oito anos para função pública.
Collor contestou a pena no STF, no MS 21.689, e perdeu. Na ação penal 307, em dezembro de 1994, o Supremo o absolveu da acusação de corrupção passiva, por falta de provas de sua participação. Em 2006, foi eleito senador por Alagoas.
O cientista político Marcos Nobre (Imobilismo em movimento, 2013) data do impeachment a tese de que Collor caiu por falta de apoio no Congresso, origem, para ele, da exigência de supermaiorias para governar.

Retrato oficial de Fernando Collor, 1992Ubirajara Dettimar, 1992 · Wikimedia Commons (origem: Agência Brasil / EBC) · CC BY 3.0 br
Relato escrito sobre as fontes listadas abaixo, conferidas em 28/10/2026.
Referências
Câmara dos Deputados, 20 anos do impeachment
Documentos oficiais
- 20 anos do impeachment do Collor · Câmara dos Deputados
- Conheça alguns julgamentos históricos que marcaram os últimos 50 anos do STF · Supremo Tribunal Federal
Para ler mais
- Fernando Collor (verbete) · FGV CPDOC
- Câmara se prepara para votação de impeachment 24 anos pós-Collor · Agência Câmara
- Há 34 anos, Câmara abria impeachment de Collor e testava a democracia · Congresso em Foco
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