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A Nova República (desde 1985) · saúde e educação

O acidente do césio-137

13 de setembro de 1987 · governo de José Sarney

O ferro-velho da Rua 6, em Goiânia, onde a cápsula de césio-137 foi aberta em 1987, fotografado em 2007IAEA Imagebank (Agência Internacional de Energia Atômica), 2007 · IAEA Imagebank (Flickr), via Wikimedia Commons · CC BY 2.0

Em 13 de setembro de 1987, dois catadores retiraram das ruínas do Instituto Goiano de Radioterapia, em Goiânia, um aparelho abandonado e abriram a cápsula de césio-137, cujo pó azul brilhante foi vendido a um ferro-velho e distribuído entre parentes e amigos. Quatro pessoas morreram em outubro, entre elas uma menina de 6 anos; 112.800 pessoas foram monitoradas e 249 tiveram contaminação, no maior acidente radiológico fora de uma usina nuclear.

O que havia antes

O Instituto Goiano de Radioterapia funcionou no Setor Central de Goiânia até 1985 e deixou no prédio, em ruínas, um aparelho de teleterapia com uma fonte de cloreto de césio-137 (Radis, Fiocruz).

A fonte de césio-137 do acidente de Goiânia, retirada do aparelho de radioterapia

A fonte de césio-137 do acidente de Goiânia, retirada do aparelho de radioterapiaIAEA Imagebank (Agência Internacional de Energia Atômica), 2007 · IAEA Imagebank (Flickr), via Wikimedia Commons · CC BY 2.0

O que aconteceu

Em 13 de setembro de 1987, Wagner Mota Pereira e Roberto Santos Alves retiraram o aparelho das ruínas e romperam o lacre da cápsula, para vendê-la como sucata. Em 18 de setembro, Devair Alves Ferreira, dono de um ferro-velho no Setor Aeroporto, comprou a peça; à noite, viu o brilho azul do pó e o levou para casa, distribuindo-o a parentes e amigos. Em 28 de setembro, com os primeiros doentes, Maria Gabriela Ferreira, mulher de Devair, levou a cápsula num ônibus à Vigilância Sanitária; em 29 de setembro, o físico Walter Mendes Ferreira identificou a radiação e a Comissão Nacional de Energia Nuclear foi avisada (Radis, Fiocruz).

De 30 de setembro a dezembro, a CNEN mapeou os pontos contaminados; no Estádio Olímpico, 112.800 pessoas passaram pela triagem: 249 apresentaram contaminação interna ou externa e 129 passaram a acompanhamento médico regular (Governo de Goiás; CNEN, Relatório do Acidente Radiológico em Goiânia, 1988). Em 23 de outubro morreram Leide das Neves Ferreira, de 6 anos, que manipulara e ingerira o pó, e Maria Gabriela Ferreira; em 27 e 28 de outubro, Israel Batista dos Santos, de 20 anos, e Admilson Alves de Souza, de 18, empregados do ferro-velho (Radis).

A descontaminação terminou em 21 de dezembro de 1987, com sete casas demolidas e 41 evacuadas; o presidente da CNEN, Rex Nazaré Alves, apresentou o relatório à CPI do Senado em 10 de março de 1988 (Radis).

“É concedida pensão vitalícia, a título de indenização especial, às vítimas do acidente com a substância radioativa césio 137, ocorrido em Goiânia, Estado de Goiás.”

Lei nº 9.425, art. 1ºLei nº 9.425, de 24 de dezembro de 1996, 24/12/1996a fonte

O que veio depois

Os rejeitos, cerca de 3.500 m³ segundo o Governo de Goiás e cerca de 6 mil toneladas segundo a CNEN citada pela Câmara, foram levados em outubro de 1987 a um depósito provisório em Abadia de Goiás, a 23 km de Goiânia, definido como definitivo em 1989 e inaugurado em 1997, onde a CNEN instalou o Centro Regional de Ciências Nucleares do Centro-Oeste (Radis; Governo de Goiás; Câmara dos Deputados).

Em fevereiro de 1988 o governo de Goiás criou a Fundação Leide das Neves Ferreira para acompanhar as vítimas (Governo de Goiás). A Lei federal 9.425, de 24 de dezembro de 1996, concedeu pensão vitalícia, “a título de indenização especial”, às vítimas, por faixas de dose e de incapacidade, inclusive descendentes nascidos com anomalia e os agentes da Vigilância Sanitária expostos.

O número de mortos segue em disputa: a Secretaria de Saúde de Goiás conta quatro mortes diretas; a associação de vítimas e o Ministério Público de Goiás relacionam ao acidente pelo menos 66 óbitos e cerca de 1,4 mil contaminados ao longo dos anos (Mapa de Conflitos, Fiocruz).

Relato escrito sobre as fontes listadas abaixo, conferidas em 29/10/2026.

Referências

Secretaria de Saúde de Goiás, História do Césio 137; CNEN, relatório de 1988

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