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A Era Vargas (1930–1945) · política e instituições

A Revolução de 1930

3 de novembro de 1930 · governo de Getúlio Vargas

A multidão diante do Palácio do Catete, no Rio, depois da chegada de Getúlio Vargas, início de novembro de 1930Autor não identificado (revista Careta), 1930 · Revista Careta, 08/11/1930, Hemeroteca Digital Brasileira (via Wikimedia Commons) · domínio público

O movimento armado iniciado em 3 de outubro de 1930 no Rio Grande do Sul, em Minas Gerais e no Nordeste levou os chefes militares a depor Washington Luís em 24 de outubro. Em 3 de novembro, a junta governativa entregou o governo provisório a Getúlio Vargas. Júlio Prestes, eleito em março, não tomou posse.

O que havia antes

Na Primeira República, paulistas e mineiros se revezavam na Presidência. A partir de 1928, Washington Luís apoiou o paulista Júlio Prestes à sucessão, e não o mineiro Antônio Carlos. Em agosto de 1929, Minas, Rio Grande do Sul e Paraíba formaram a Aliança Liberal, com Getúlio Vargas para presidente e João Pessoa para vice.

Na eleição de 1º de março de 1930, Júlio Prestes e Vital Soares venceram com 57,7% dos votos. O CPDOC anota que a fraude “verificou-se dos dois lados”: no Rio Grande do Sul, Vargas teve 298 mil votos contra 982 de Prestes. Depois, o Congresso degolou candidatos da Paraíba e de Minas. Em 26 de julho, João Pessoa foi assassinado no Recife por João Dantas, e a conspiração ganhou força.

Revolucionários gaúchos amarram os cavalos no Obelisco da avenida Rio Branco, Rio de Janeiro, 1930

Revolucionários gaúchos amarram os cavalos no Obelisco da avenida Rio Branco, Rio de Janeiro, 1930Autor não identificado, 1930 · Wikimedia Commons · domínio público

O que aconteceu

Vargas e Osvaldo Aranha marcaram o levante para as 17h30 de 3 de outubro, fim do expediente nos quartéis. A chefia militar coube ao tenente-coronel Góis Monteiro. Na madrugada de 4, as unidades de Porto Alegre estavam tomadas; Belo Horizonte foi ocupada; no Recife, sob Juarez Távora, a resistência legalista durou até 6 de outubro. As tropas do Sul avançaram até a frente de Itararé, na divisa com São Paulo.

Antes do ataque geral a São Paulo, previsto para 25 de outubro, generais liderados por Tasso Fragoso exigiram a renúncia de Washington Luís, por intermédio do cardeal Sebastião Leme. Diante da recusa, em 24 de outubro cercaram o Palácio Guanabara e prenderam o presidente. Assumiu uma junta: Tasso Fragoso, o general Mena Barreto e o almirante Isaías de Noronha.

A junta formou ministério e hesitou em entregar o poder. De Ponta Grossa, Vargas avisou que continuaria a luta se não fosse reconhecido chefe do governo provisório. Em 28 de outubro, um acordo com Aranha e Lindolfo Collor resolveu o impasse. Em 31 de outubro, Vargas chegou ao Rio de uniforme, precedido por três mil soldados gaúchos. Em 3 de novembro, tomou posse.

“O Governo Provisório exercerá discricionariamente, em toda sua plenitude, as funções e atribuições, não só do Poder Executivo, como também do Poder Legislativo, até que, eleita a Assembléia Constituinte, estabeleça esta a reorganização constitucional do país”

Getúlio Vargas e ministrosDecreto nº 19.398, art. 1º, 11/11/1930a fonte

O que veio depois

Em 11 de novembro, o Decreto nº 19.398 deu ao Governo Provisório as funções do Executivo e do Legislativo, a exercer “discricionariamente”, “até que, eleita a Assembléia Constituinte”, se reorganizasse o país. Confirmou a dissolução do Congresso, das assembleias estaduais e das câmaras municipais, e previu um interventor federal para cada estado.

Washington Luís e Júlio Prestes foram para o exílio. O governo criou em novembro de 1930 os ministérios da Educação e Saúde Pública e do Trabalho, Indústria e Comércio. Para o CPDOC, o movimento abre a Segunda República; Vargas ficaria no poder até 29 de outubro de 1945.

Miguel Costa, Góis Monteiro e Getúlio Vargas, novembro de 1930, sob o título “A revolução triumphante”

Miguel Costa, Góis Monteiro e Getúlio Vargas, novembro de 1930, sob o título “A revolução triumphante”Autor não identificado, 1930 · Wikimedia Commons · CC0 — Creative Commons Zero, Public Domain Dedication

Relato escrito sobre as fontes listadas abaixo, conferidas em 28/10/2026.

Referências

Arquivo Nacional, cronologia da Primeira República

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