O quartel do 3º Regimento de Infantaria, na Praia Vermelha, em chamas depois do levante, novembro de 1935Autor não identificado, 1935 · Arquivo Nacional, fundo Correio da Manhã (via Wikimedia Commons) · domínio público
Em 23 de novembro de 1935, militares ligados à Aliança Nacional Libertadora e ao PCB tomaram o quartel de Natal; o levante se repetiu no Recife e, em 27 de novembro, no Rio. Foi vencido em dias. O governo o chamou de “Intentona Comunista” e o usou para obter estado de sítio, estado de guerra e milhares de prisões.
- 4 diasde governo revolucionário em Natal (CPDOC)
- 7.056detidos no DF até 31/5/1936, pelo relatório policial (Câmara)
- 6.052soltos no mesmo período (Câmara)
- 90 diasde prorrogação do estado de sítio
- 190 a 59votação que autorizou processar deputados presos (Câmara)
O que havia antes
Em 17 de janeiro de 1935, o deputado classista Gilberto Gabeira leu na Câmara o manifesto da Aliança Nacional Libertadora. A ANL reunia comunistas, socialistas, católicos e democratas contra o fascismo, o imperialismo e o latifúndio. Foi lançada no Rio em 30 de março, com Luís Carlos Prestes como presidente de honra, e atraiu dezenas de milhares de filiados, segundo a Câmara.
Ao mesmo tempo, o governo levou ao Congresso a primeira Lei de Segurança Nacional, sancionada em 4 de abril de 1935. Prestes, filiado ao PCB desde 1934, voltou de Moscou para preparar uma revolta, assessorado por enviados da Internacional Comunista: o alemão Arthur Ernst Ewert, conhecido como Harry Berger, o argentino Rodolfo Ghioldi, o belga Jules Vallée e o americano Victor Baron.
Em 5 de julho, Prestes lançou um manifesto lido na Câmara no dia seguinte. Com base na Lei de Segurança Nacional, o Decreto nº 229, de 11 de julho de 1935, fechou os núcleos da ANL em todo o país. Houve prisões. Depois do fechamento, segundo o CPDOC, a preparação da revolta armada se intensificou.

Julgamento dos líderes do levante no Tribunal de Segurança Nacional, 1937Autor não identificado, 1937 · Arquivo Nacional, fundo Correio da Manhã (via Wikimedia Commons) · domínio público
O que aconteceu
Em 23 de novembro de 1935, sargentos, cabos e soldados do 21º Batalhão de Caçadores tomaram o comando em Natal, em nome da ANL, com adesão de civis. Instalaram um governo popular revolucionário que durou quatro dias; tropas do Exército e a polícia retomaram a cidade em 27 de novembro, segundo os verbetes do CPDOC.
Em 24 de novembro, o 29º Batalhão de Caçadores se levantou no Recife, e o movimento foi logo reprimido. No dia 25, Prestes deu ordem para o levante no Rio, e Vargas pediu ao Congresso o estado de sítio. Na noite de 26 para 27, rebelaram-se o 3º Regimento de Infantaria, na Praia Vermelha, sob Agildo Barata, e a Escola de Aviação Militar do Campo dos Afonsos.
No Rio, as tropas do Exército comandadas pelo general Eurico Gaspar Dutra reprimiram os dois focos no mesmo dia. A revolta foi feita em nome da ANL, mas o governo atribuiu tudo ao PCB e a chamou de “Intentona Comunista”, segundo a Câmara. O número de mortos nos combates não aparece nas fontes abertas para este texto.
“cresce a indignação do povo contra a escravidão econômica e política em que se encontra o Brasil.”
O que veio depois
O estado de sítio foi votado em 25 de novembro, por 30 dias, e prorrogado por mais 90. Em 18 de dezembro, três emendas constitucionais criaram o estado de guerra interna e permitiram expulsar militares e demitir funcionários. O Decreto nº 702, de 21 de março de 1936, equiparou a situação ao estado de guerra. Criou-se o Tribunal de Segurança Nacional.
O relatório do chefe de polícia, citado por Paulo Sérgio Pinheiro, registra 7.056 detidos no Distrito Federal entre 27 de novembro de 1935 e 31 de maio de 1936, e 6.052 soltos. A imprensa comunista falou em 20 mil presos; Filinto Müller admitiu 7 mil capturas federais, segundo Levine. O navio Pedro I virou prisão. O verbete de Vargas fala em tortura frequente de suspeitos.
Prestes foi preso em março de 1936; Olga Benário e Harry Berger também. Em julho, a Câmara autorizou, por 190 votos a 59, o processo contra quatro deputados presos. O medo do comunismo, diz o CPDOC, juntou em torno de Vargas forças antes contrárias, o que tornaria possível o golpe do Estado Novo.
Relato escrito sobre as fontes listadas abaixo, conferidas em 28/10/2026.
Referências
FGV CPDOC, verbete “Partido Comunista do Brasil (PCB)”
Documentos oficiais
- Lei nº 38, de 4 de abril de 1935 (publicação original) · Câmara dos Deputados, Legislação Informatizada
Para ler mais
- A Segunda República (16/07/1934 a 10/11/1937) · Câmara dos Deputados
- Partido Comunista do Brasil (PCB) (verbete) · FGV CPDOC (Alzira Alves de Abreu)
- Aliança Nacional Libertadora (ANL) (verbete) · FGV CPDOC, Dicionário Histórico-Biográfico Brasileiro
- Getúlio Vargas (verbete) · FGV CPDOC, Dicionário Histórico-Biográfico Brasileiro
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