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A Era Vargas (1930–1945) · política e instituições

O levante comunista de 1935

23 de novembro de 1935 · governo de Getúlio Vargas

O quartel do 3º Regimento de Infantaria, na Praia Vermelha, em chamas depois do levante, novembro de 1935Autor não identificado, 1935 · Arquivo Nacional, fundo Correio da Manhã (via Wikimedia Commons) · domínio público

Em 23 de novembro de 1935, militares ligados à Aliança Nacional Libertadora e ao PCB tomaram o quartel de Natal; o levante se repetiu no Recife e, em 27 de novembro, no Rio. Foi vencido em dias. O governo o chamou de “Intentona Comunista” e o usou para obter estado de sítio, estado de guerra e milhares de prisões.

O que havia antes

Em 17 de janeiro de 1935, o deputado classista Gilberto Gabeira leu na Câmara o manifesto da Aliança Nacional Libertadora. A ANL reunia comunistas, socialistas, católicos e democratas contra o fascismo, o imperialismo e o latifúndio. Foi lançada no Rio em 30 de março, com Luís Carlos Prestes como presidente de honra, e atraiu dezenas de milhares de filiados, segundo a Câmara.

Ao mesmo tempo, o governo levou ao Congresso a primeira Lei de Segurança Nacional, sancionada em 4 de abril de 1935. Prestes, filiado ao PCB desde 1934, voltou de Moscou para preparar uma revolta, assessorado por enviados da Internacional Comunista: o alemão Arthur Ernst Ewert, conhecido como Harry Berger, o argentino Rodolfo Ghioldi, o belga Jules Vallée e o americano Victor Baron.

Em 5 de julho, Prestes lançou um manifesto lido na Câmara no dia seguinte. Com base na Lei de Segurança Nacional, o Decreto nº 229, de 11 de julho de 1935, fechou os núcleos da ANL em todo o país. Houve prisões. Depois do fechamento, segundo o CPDOC, a preparação da revolta armada se intensificou.

Julgamento dos líderes do levante no Tribunal de Segurança Nacional, 1937

Julgamento dos líderes do levante no Tribunal de Segurança Nacional, 1937Autor não identificado, 1937 · Arquivo Nacional, fundo Correio da Manhã (via Wikimedia Commons) · domínio público

O que aconteceu

Em 23 de novembro de 1935, sargentos, cabos e soldados do 21º Batalhão de Caçadores tomaram o comando em Natal, em nome da ANL, com adesão de civis. Instalaram um governo popular revolucionário que durou quatro dias; tropas do Exército e a polícia retomaram a cidade em 27 de novembro, segundo os verbetes do CPDOC.

Em 24 de novembro, o 29º Batalhão de Caçadores se levantou no Recife, e o movimento foi logo reprimido. No dia 25, Prestes deu ordem para o levante no Rio, e Vargas pediu ao Congresso o estado de sítio. Na noite de 26 para 27, rebelaram-se o 3º Regimento de Infantaria, na Praia Vermelha, sob Agildo Barata, e a Escola de Aviação Militar do Campo dos Afonsos.

No Rio, as tropas do Exército comandadas pelo general Eurico Gaspar Dutra reprimiram os dois focos no mesmo dia. A revolta foi feita em nome da ANL, mas o governo atribuiu tudo ao PCB e a chamou de “Intentona Comunista”, segundo a Câmara. O número de mortos nos combates não aparece nas fontes abertas para este texto.

“cresce a indignação do povo contra a escravidão econômica e política em que se encontra o Brasil.”

Aliança Nacional Libertadora, manifesto lido pelo deputado Gilberto GabeiraDiário do Poder Legislativo, 18/1/1935, citado pela Câmara dos Deputados, 17/01/1935a fonte

O que veio depois

O estado de sítio foi votado em 25 de novembro, por 30 dias, e prorrogado por mais 90. Em 18 de dezembro, três emendas constitucionais criaram o estado de guerra interna e permitiram expulsar militares e demitir funcionários. O Decreto nº 702, de 21 de março de 1936, equiparou a situação ao estado de guerra. Criou-se o Tribunal de Segurança Nacional.

O relatório do chefe de polícia, citado por Paulo Sérgio Pinheiro, registra 7.056 detidos no Distrito Federal entre 27 de novembro de 1935 e 31 de maio de 1936, e 6.052 soltos. A imprensa comunista falou em 20 mil presos; Filinto Müller admitiu 7 mil capturas federais, segundo Levine. O navio Pedro I virou prisão. O verbete de Vargas fala em tortura frequente de suspeitos.

Prestes foi preso em março de 1936; Olga Benário e Harry Berger também. Em julho, a Câmara autorizou, por 190 votos a 59, o processo contra quatro deputados presos. O medo do comunismo, diz o CPDOC, juntou em torno de Vargas forças antes contrárias, o que tornaria possível o golpe do Estado Novo.

Relato escrito sobre as fontes listadas abaixo, conferidas em 28/10/2026.

Referências

FGV CPDOC, verbete “Partido Comunista do Brasil (PCB)”

Documentos oficiais

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