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República / marcos / a era vargas

A Era Vargas (1930–1945) · política e instituições

O Brasil entra na guerra

22 de agosto de 1942 · governo de Getúlio Vargas

Soldados do primeiro escalão da Força Expedicionária Brasileira a bordo do navio que os levou à Itália, 1944Autor não identificado, 1944 · Arquivo Nacional, fundo Correio da Manhã (via Wikimedia Commons) · domínio público

Depois que um submarino alemão afundou cinco navios brasileiros na costa de Sergipe e da Bahia, matando 607 pessoas em 72 horas, o governo reconheceu em 22 de agosto de 1942 a “situação de beligerância” com Alemanha e Itália. Em 31 de agosto, declarou estado de guerra. A Força Expedicionária Brasileira embarcou para a Itália em 1944.

O que havia antes

Neutro no começo da guerra, o Brasil foi pressionado pelos Estados Unidos a ceder portos, aeroportos e estradas no Norte e no Nordeste. Em 24 de julho de 1941, autorizou em segredo o uso de bases aéreas e navais americanas, segundo o Atlas da FGV. O governo buscava em troca empréstimos para reequipar as Forças Armadas e construir uma siderúrgica.

Depois do ataque japonês a Pearl Harbor, o Brasil rompeu relações com o Eixo em 28 de janeiro de 1942. Começaram os torpedeamentos. O primeiro, segundo a Assembleia paulista, foi o do vapor Buarque, em 16 de fevereiro, perto de Curaçao. Em março, o Cairu foi afundado perto de Nova York, com 53 mortos. De fevereiro a agosto, o Atlas conta 21 navios afundados.

O general Mascarenhas de Morais, comandante da FEB, com Dwight Eisenhower

O general Mascarenhas de Morais, comandante da FEB, com Dwight EisenhowerAutor não identificado, 1944 · Wikimedia Commons · domínio público

O que aconteceu

Entre 15 e 17 de agosto de 1942, o submarino alemão U-507, do capitão Harro Schacht, afundou cinco navios entre Sergipe e a Bahia. No Baependi morreram 55 tripulantes e 215 passageiros; no Araraquara, 131 pessoas; no Aníbal Benévolo, 67 tripulantes e todos os 83 passageiros. O Itagiba e o Arará também foram atacados. Em 72 horas, foram 607 mortos, segundo a Assembleia paulista.

O Globo de agosto de 1942: “Torpedeado um navio brasileiro”
O documento

O Globo de agosto de 1942: “Torpedeado um navio brasileiro”Jornal O Globo, 1942 · Wikimedia Commons (O Globo) · domínio público

Houve manifestações de rua contra o nazifascismo, com a UNE e a Liga de Defesa Nacional. Em 22 de agosto, Vargas reuniu o ministério e comunicou à Alemanha e à Itália a situação de beligerância. Em 31 de agosto, o Decreto nº 10.358 declarou o estado de guerra em todo o território nacional e suspendeu garantias da Constituição de 1937.

As manifestações abriram a primeira crise do regime e levaram à saída do ministro da Justiça, Francisco Campos, segundo o verbete de Vargas no CPDOC. O verbete aponta a contradição: um país sob ditadura passava a lutar ao lado das democracias.

“ante o inegável ato de guerra contra o país, com o afundamento dos cinco navios na costa de Sergipe, foi criada uma situação de beligerância que somos forçados a reconhecer na defesa da nossa dignidade, da nossa soberania e da nossa segurança e da América”

Governo brasileiroComunicação à Alemanha e à Itália, citada pela Assembleia Legislativa de São Paulo, 22/08/1942a fonte

O que veio depois

A Força Expedicionária Brasileira foi estruturada em 9 de agosto de 1943, sob o comando do general Mascarenhas de Morais. O primeiro escalão, com 5.075 homens, embarcou na noite de 30 de junho para 1º de julho de 1944 no navio americano General Mann. A FEB lutou no V Exército americano, e o grupo da FAB partiu em outubro, com mais de 400 homens.

A FEB teve 25.334 homens. Entrou em combate em 15 de setembro de 1944. Depois de ataques sem êxito em novembro e dezembro, tomou Monte Castelo em 21 de fevereiro de 1945, com a 10ª Divisão de Montanha americana, e Montese em 14 de abril. O Brasil deixou 454 mortos sepultados em Pistoia; as cinzas foram levadas em 1960 para o monumento no aterro da Glória, no Rio.

A guerra apressou o fim do Estado Novo. Segundo o CPDOC, Vargas percebeu que a luta contra o nazifascismo levaria ao fim da ditadura e passou a apostar no trabalhismo. Em fevereiro de 1945, deu prazo para eleições; em outubro, foi deposto.

Comboio de caminhões da FEB numa estrada da Itália, 1944

Comboio de caminhões da FEB numa estrada da Itália, 1944Autor não identificado, 1944 · Arquivo Nacional, fundo Correio da Manhã (via Wikimedia Commons) · domínio público

Relato escrito sobre as fontes listadas abaixo, conferidas em 28/10/2026.

Referências

FGV CPDOC, Atlas Histórico do Brasil, verbete “Força Expedicionária Brasileira”

Documentos oficiais

Para ler mais

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