Soldados do primeiro escalão da Força Expedicionária Brasileira a bordo do navio que os levou à Itália, 1944Autor não identificado, 1944 · Arquivo Nacional, fundo Correio da Manhã (via Wikimedia Commons) · domínio público
Depois que um submarino alemão afundou cinco navios brasileiros na costa de Sergipe e da Bahia, matando 607 pessoas em 72 horas, o governo reconheceu em 22 de agosto de 1942 a “situação de beligerância” com Alemanha e Itália. Em 31 de agosto, declarou estado de guerra. A Força Expedicionária Brasileira embarcou para a Itália em 1944.
- 21navios brasileiros afundados de fevereiro a agosto de 1942 (Atlas FGV)
- 607mortos em 72 horas em agosto de 1942 (Alesp)
- 270mortos no Baependi (Alesp)
- 25.334homens da FEB (Atlas FGV)
- 454integrantes da FEB sepultados em Pistoia (Atlas FGV)
O que havia antes
Neutro no começo da guerra, o Brasil foi pressionado pelos Estados Unidos a ceder portos, aeroportos e estradas no Norte e no Nordeste. Em 24 de julho de 1941, autorizou em segredo o uso de bases aéreas e navais americanas, segundo o Atlas da FGV. O governo buscava em troca empréstimos para reequipar as Forças Armadas e construir uma siderúrgica.
Depois do ataque japonês a Pearl Harbor, o Brasil rompeu relações com o Eixo em 28 de janeiro de 1942. Começaram os torpedeamentos. O primeiro, segundo a Assembleia paulista, foi o do vapor Buarque, em 16 de fevereiro, perto de Curaçao. Em março, o Cairu foi afundado perto de Nova York, com 53 mortos. De fevereiro a agosto, o Atlas conta 21 navios afundados.

O general Mascarenhas de Morais, comandante da FEB, com Dwight EisenhowerAutor não identificado, 1944 · Wikimedia Commons · domínio público
O que aconteceu
Entre 15 e 17 de agosto de 1942, o submarino alemão U-507, do capitão Harro Schacht, afundou cinco navios entre Sergipe e a Bahia. No Baependi morreram 55 tripulantes e 215 passageiros; no Araraquara, 131 pessoas; no Aníbal Benévolo, 67 tripulantes e todos os 83 passageiros. O Itagiba e o Arará também foram atacados. Em 72 horas, foram 607 mortos, segundo a Assembleia paulista.

O Globo de agosto de 1942: “Torpedeado um navio brasileiro”Jornal O Globo, 1942 · Wikimedia Commons (O Globo) · domínio público
Houve manifestações de rua contra o nazifascismo, com a UNE e a Liga de Defesa Nacional. Em 22 de agosto, Vargas reuniu o ministério e comunicou à Alemanha e à Itália a situação de beligerância. Em 31 de agosto, o Decreto nº 10.358 declarou o estado de guerra em todo o território nacional e suspendeu garantias da Constituição de 1937.
As manifestações abriram a primeira crise do regime e levaram à saída do ministro da Justiça, Francisco Campos, segundo o verbete de Vargas no CPDOC. O verbete aponta a contradição: um país sob ditadura passava a lutar ao lado das democracias.
“ante o inegável ato de guerra contra o país, com o afundamento dos cinco navios na costa de Sergipe, foi criada uma situação de beligerância que somos forçados a reconhecer na defesa da nossa dignidade, da nossa soberania e da nossa segurança e da América”
O que veio depois
A Força Expedicionária Brasileira foi estruturada em 9 de agosto de 1943, sob o comando do general Mascarenhas de Morais. O primeiro escalão, com 5.075 homens, embarcou na noite de 30 de junho para 1º de julho de 1944 no navio americano General Mann. A FEB lutou no V Exército americano, e o grupo da FAB partiu em outubro, com mais de 400 homens.
A FEB teve 25.334 homens. Entrou em combate em 15 de setembro de 1944. Depois de ataques sem êxito em novembro e dezembro, tomou Monte Castelo em 21 de fevereiro de 1945, com a 10ª Divisão de Montanha americana, e Montese em 14 de abril. O Brasil deixou 454 mortos sepultados em Pistoia; as cinzas foram levadas em 1960 para o monumento no aterro da Glória, no Rio.
A guerra apressou o fim do Estado Novo. Segundo o CPDOC, Vargas percebeu que a luta contra o nazifascismo levaria ao fim da ditadura e passou a apostar no trabalhismo. Em fevereiro de 1945, deu prazo para eleições; em outubro, foi deposto.

Comboio de caminhões da FEB numa estrada da Itália, 1944Autor não identificado, 1944 · Arquivo Nacional, fundo Correio da Manhã (via Wikimedia Commons) · domínio público
Relato escrito sobre as fontes listadas abaixo, conferidas em 28/10/2026.
Referências
FGV CPDOC, Atlas Histórico do Brasil, verbete “Força Expedicionária Brasileira”
Documentos oficiais
- Decreto nº 10.358, de 31 de agosto de 1942 (publicação original) · Câmara dos Deputados, Legislação Informatizada
Para ler mais
- Força Expedicionária Brasileira (FEB) (verbete) · FGV CPDOC, Atlas Histórico do Brasil
- Brasileiros esquecidos: 70 anos da entrada do Brasil na 2ª Guerra Mundial · Assembleia Legislativa de São Paulo
- Getúlio Vargas (verbete) · FGV CPDOC, Dicionário Histórico-Biográfico Brasileiro
- Companhia Vale do Rio Doce (CVRD) (verbete) · FGV CPDOC, Dicionário Histórico-Biográfico Brasileiro
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