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A revista · poesia · Volume 1

[de nossas próprias mãos]

Lucas R. Gaspar

Publicado em 20 de junho de 2017

eu
     é
múltiplo
de nós

*

quando ninguém
operar as
máquinas

ossatura será
nossa
dimensão
irreconstituível

ossada será
nossa
dimensão
jamais escavável

irremediável
a terra
expor-se
novamente
sem fratura

*

ao fundo de um
cofre obcecado
os possíveis
implodem-se

este mundo é
acabado
lhe resta a vida
em pleno
aplainamento

não fossem
os mortos
sonhando
a si mesmos
e outros tantos
a fabricar corpos
seria um infortúnio
não um
presságio

*

acima é o céu aberto é o
ventre avesso, solto
em ossada mambembe.
a rabulejar, a vida cabreira
em encolha mineral

*

de nossas próprias mãos
uma sumaúma
desd’a raiz à copa
incinerada

a sumaúma
tod’ela foligem
o céu e a terra deixa

sob(e) um manto de cinzas

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