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Cinco movimentos – I

Que amor é esse que, desperto, dorme

e quando acorda faz-se ambíguo sonho,

transfigurando o belo no medonho

e em noite espessa a vida multiforme?

Então amor é só o que suponho,

o que não digo por ser tão informe

que fôrma alguma lhe é jamais conforme

como este molde em que teimoso o ponho?

Será amor o que se esquiva à fala

ou à linguagem que o pretende claro?

E o que seria esse tremor mais raro

que ao aflorar parece que se cala?

Amor oblíquo que olha de soslaio,

mas que ilumina e queima como raio...

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