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Tecnologia · as plataformas nas eleições · em curso · atualizado em 30/10/2026 · 12 fatos · 10 confirmados · 2 relatados

A eleição de 2026, as plataformas e o governo Trump

O TSE assinou memorandos com sete plataformas, mandou tirar do ar publicações sobre fraude e reuniu as empresas a dois dias do 2º turno; Trump chamou a eleição de “desgraça”; Flávio Bolsonaro, da Flórida, se disse “presidente eleito”. Nenhum ato de plataforma contra a eleição está confirmado.

Último fato, 29/10/2026confirmado Trump: “a eleição no Brasil foi uma desgraça”; diz que falará com Lula

O caso

Cada fato traz a fase: confirmado é ato de órgão público, decisão judicial ou documento da própria plataforma; relatado, imprensa ou organização sem o documento primário; desmentido, o que a apuração oficial afastou.

A Justiça Eleitoral entrou em 2026 com acordos voluntários com Meta, Google, X, TikTok, Kwai, Telegram e LinkedIn e com três desenvolvedoras de IA, e com a regra de 2024 que obriga a rotular conteúdo sintético e proíbe deepfake contra candidato. Em 10 de outubro, entre os turnos, o presidente do TSE, Nunes Marques, mandou Instagram, Threads e X retirar publicações que falavam em fraude na apuração e expunham servidores, sob multa de R$ 100 mil por hora; em 23 de outubro reuniu Meta, X, Google, TikTok e Kwai e pediu tratamento igual às campanhas. Lula venceu o 2º turno em 25 de outubro com 51,79% dos votos válidos, pelo TSE. Do lado americano, o que há de confirmado são declarações: Trump disse em 27 de outubro que a eleição “pareceu fraudada”, sem apresentar prova, e em 29 chamou-a de “desgraça”; o Departamento de Estado, em 2025 e 2026, criticou decisões judiciais brasileiras sobre conteúdo online e sancionou e depois dessancionou o ministro Alexandre de Moraes. Flávio Bolsonaro, que deixou o país, publicou em 28 de outubro uma carta em que se chama “o verdadeiro presidente eleito” e, horas depois, “líder do Brasil”. O que não se confirmou: qualquer ato de plataforma (remoção, impulsionamento, mudança de algoritmo) a favor ou contra candidato, e qualquer ato do governo americano sobre a eleição além de declarações e das sanções a Moraes.

  • 7plataformas com memorando com o TSE para 2026 (Meta, Google, X, TikTok, Kwai, Telegram, LinkedIn), assinados em 16/07/2026, pela imprensa
  • R$ 100 mil/ha multa da liminar de 10/10/2026 contra Instagram, Threads e X (Rp 0602683-44.2026.6.00.0000)
  • ~10 millinks com publicações semelhantes identificados pela assessoria do TSE, segundo o MPF (13/10)
  • 51,79%dos votos válidos para Lula no 2º turno, pelo TSE (64.256.232 votos), a conferir no Divulga do TSE
  • 39 diaso X suspenso no Brasil em 2024 (30/08 a 08/10), antecedente

O que está confirmado

Em 16 de julho de 2026 o TSE assinou memorandos de entendimento com sete plataformas (Kwai, Telegram, Meta, TikTok, Google, X e LinkedIn) e incorporou três desenvolvedoras de IA ao programa contra a desinformação; a publicação no DOU se deu entre 22 e 27 de julho. O TSE disse que os acordos não autorizam remoção automática e que obrigações e sanções seguem a lei e as resoluções (imprensa: TI Inside 17/07, Gazeta do Povo, Money Times; a nota do TSE está em tse.jus.br, que bloqueia leitura por máquina).

Em 10 de outubro de 2026, sábado, o presidente do TSE, ministro Nunes Marques, concedeu liminar na Representação 0602683-44.2026.6.00.0000, a pedido do Ministério Público Eleitoral, mandando Instagram, Threads e X retirar publicações falsas sobre o sistema de apuração que expunham dados de servidores, sob multa de R$ 100 mil por hora, com ordem de remover conteúdos “idênticos ou equivalentes” sem nova decisão e de informar os responsáveis; a assessoria de desinformação do TSE contou quase dez mil links. Base: art. 2º da Res. 23.714/2022 e art. 9º-C da Res. 23.610/2019 (MPF/PGR, notícia de 13/10/2026).

Em 23 de outubro de 2026, a dois dias do 2º turno, Nunes Marques reuniu na sede do TSE representantes de Meta, X, Google, TikTok e Kwai, com os ministros André Mendonça, Estela Aranha, Sebastião Reis e Marco Aurélio Bellizze, pediu tratamento igualitário às campanhas e reforço das equipes, e o tribunal esclareceu não ter mandado tirar canal de WhatsApp do ar (imprensa: O Hoje 23/10, Times Brasil, Boca; nota do TSE em tse.jus.br/comunicacao/noticias/2026/Outubro/…).

Em 25 de outubro de 2026 o TSE proclamou Lula eleito com 64.256.232 votos (51,79% dos válidos) contra 59.826.041 (48,21%) de Flávio Bolsonaro (InfoMoney; o número oficial está no Divulga do TSE e deve ser lido lá).

Em 27 de outubro de 2026, em comício no Texas, Trump disse: “Eu não tomei partido, mas pareceu mais uma eleição fraudada. Para mim, pareceu muito ruim”, sem apresentar provas; em 29 de outubro, a jornalistas: “Eu vou falar com ele, mas acho que a eleição no Brasil foi uma desgraça”. A Casa Branca não se manifestou oficialmente sobre o resultado até então (Metrópoles, 29/10/2026, 15h04).

Em 28 de outubro de 2026, Flávio Bolsonaro, já em Miami, publicou nas redes uma carta em que se chama “o verdadeiro presidente eleito do Brasil”, fala em “fraude eleitoral” vista “diante dos meus olhos” e diz “Não fugi do Brasil, eu saí pelo Brasil”; minutos depois republicou trocando a expressão por “líder do Brasil” (CNN Brasil, 28/10/2026, 18h33). O PL, por Valdemar Costa Neto, reconheceu o resultado proclamado pelo TSE (Forbes Brasil, InfoMoney). A fuga em si é marco da República (/marcos/fuga-de-flavio-bolsonaro/).

Antecedentes confirmados: o Tesouro dos EUA sancionou Alexandre de Moraes pela Lei Magnitsky em 30/07/2025 e o retirou da lista em 12/12/2025, com a esposa e o instituto da família (InfoMoney, Metrópoles, Poder360; o aviso do OFAC é a fonte primária a linkar). Em 2024, o X ficou suspenso no Brasil de 30/08 a 08/10 por ordem do STF (ver caso próprio).

O que é relato, ainda sem documento

Que o Departamento de Estado disse, em 2 de abril de 2026, acompanhar com “sérias preocupações” decisões do governo e do Judiciário brasileiros sobre remoção de conteúdo e perfis: uma fonte só (Terra Brasil Notícias), sem a nota oficial localizada.

Que o Departamento de Estado respondeu a congressistas em 15 de outubro de 2026 defendendo as sanções a Moraes e dizendo apoiar “eleição justa” sem garantir reconhecimento do resultado: uma fonte só (Mixvale, 16/10), sem a carta.

Que Flávio pedirá a anulação ao TSE: anúncio dele (InfoMoney); nenhuma ação localizada.

Que a Meta informou ao TSE, antes da reunião de 23/10, ter adotado providências para tratamento igualitário: relato de imprensa, sem o documento.

O que não se confirmou

Nenhum ato de plataforma (remoção em massa, impulsionamento, alteração de algoritmo, recusa a cumprir ordem) a favor ou contra candidato na eleição de 2026 apareceu em fonte aberta até 30/10/2026. Nenhum ato do governo americano sobre a eleição além de declarações e das sanções (revogadas) a Moraes. A premissa de que houve intromissão não é fato: a página registra o que se documenta e deixa a fase à vista.

Linha do tempo

  1. 27/2/2024confirmado TSE aprova a Res. 23.732/2024: rotular conteúdo sintético e proibir deepfake contra candidato (data a conferir no TSE)
  2. 30/7/2025confirmado Tesouro dos EUA sanciona Alexandre de Moraes pela Lei Magnitsky
  3. 12/12/2025confirmado OFAC retira Moraes, a esposa e o Lex Instituto da lista Magnitsky
  4. 2/4/2026relatado Departamento de Estado fala em “sérias preocupações” com decisões brasileiras sobre conteúdo online
  5. 16/7/2026confirmado TSE assina memorandos com 7 plataformas e 3 desenvolvedoras de IA (DOU 22–27/07)
  6. 10/10/2026confirmado Liminar de Nunes Marques: Instagram, Threads e X devem tirar publicações sobre fraude; R$ 100 mil/h
  7. 15/10/2026relatado Departamento de Estado responde a congressistas defendendo as sanções a Moraes
  8. 23/10/2026confirmado TSE reúne Meta, X, Google, TikTok e Kwai e pede tratamento igual às campanhas
  9. 25/10/2026confirmado 2º turno: Lula 51,79% dos válidos, pelo TSE
  10. 27/10/2026confirmado Trump, em comício no Texas: “pareceu mais uma eleição fraudada”, sem prova
  11. 28/10/2026confirmado Flávio Bolsonaro publica carta de Miami: “verdadeiro presidente eleito”, depois “líder do Brasil”
  12. 29/10/2026confirmado Trump: “a eleição no Brasil foi uma desgraça”; diz que falará com Lula

As fontes e o que não se conferiu

O site do TSE bloqueia leitura por máquina: as notas do TSE foram lidas pela imprensa e pelo MPF; ler à mão antes de publicar. O número do 2º turno é da imprensa a partir do TSE; conferir no Divulga. As declarações do Departamento de Estado de 2/4 e 15/10/2026 têm uma fonte cada, de pouco alcance. A data da Res. 23.732/2024 e o texto da Res. 23.714/2022 não foram abertos nesta sessão.

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